Pesquisas indicam favoritismo estreito de candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, à frente de Iván Cepeda, apoiado pelo governo de esquerda de Gustavo Petro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eleitora deposita voto para presidente em seção eleitoral na cidade de Robles, no sul da Colôbia — Foto: Joaquin Sarmiento/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/06/2026 - 14:14 Colômbia decide entre extrema direita e esquerda em eleição polarizada Os colombianos foram às urnas neste domingo para decidir entre Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita apoiado por Donald Trump, e Iván Cepeda, senador de esquerda ligado ao governo de Gustavo Petro. As pesquisas indicam uma disputa acirrada, com De la Espriella como favorito. O pleito é crucial para o processo de paz e as relações com Washington, em meio a uma campanha marcada por violência e polarização. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os colombianos começaram a votar neste domingo para eleger o novo presidente do país entre Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita apoiado por Donald Trump, e o senador de esquerda Iván Cepeda, alinhado ao governo, em um segundo turno crucial para o processo de paz vacilante e as relações tensas com Washington. As pesquisas preveem um segundo turno acirrado, no qual Espriella, um advogado milionário de 47 anos, é o favorito. Ele vem ganhando apoio com sua retórica contra a guerrilha e chamando de "câncer" a esquerda, que está no poder pela primeira vez sob o atual presidente Gustavo Petro. Em segundo nas pesquisas está Cepeda, de 63 anos, um congressista veterano e filósofo aliado ao governo, que vem conquistando apoio de setores populares que se beneficiam da redução da pobreza, do aumento do salário mínimo e da queda do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo. — Viemos com a expectativa de mudar o rumo do país. A cada dia temos mais insegurança — disse Juan Márquez à AFP antes de votar na cidade caribenha de Barranquilla, vestindo a camisa da seleção nacional de futebol que De la Espriella e seus apoiadores costumam usar. Petro, vestido de branco, inaugurou a votação do dia em Bogotá, que continuará até as 16h locais (18h hora de Brasília). A autoridade eleitoral espera ter os resultados algumas horas após o fechamento das urnas. A assinatura do acordo de paz com guerrilheiros das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016 trouxe alguns anos de calma. Mas, uma década depois, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados que usaram bombas, drones explosivos e assassinaram um candidato à presidência. Espriella culpa Petro, a quem chama de "chefe da máfia" e ameaça levá-lo à justiça dos Estados Unidos. O advogado, que se autodenomina "El Tigre" (O Tigre), disse que buscará o apoio de Trump e de Israel para lançar uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, incluindo bombardeios e a fumigação de plantações de coca no maior produtor mundial de cocaína. Cidadão colombiano-americano, ele se opõe às políticas de paz com as quais Petro tentou negociar com os grupos armados, obtendo pouco progresso para pôr fim a décadas de conflito armado. Segundo analistas, essas organizações se aproveitaram da situação para se enriquecer, ganhar poder e se expandir. Filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado em 1994, Cepeda tem sido um defensor das vítimas do conflito e foi um dos arquitetos do acordo de "paz total" durante este governo, embora tenha declarado sua disposição em revisá-lo. — Para o bem da Colômbia, os pobres vêm em primeiro lugar — afirma em seus discursos. Soluções de choque Sem possibilidade de reeleição, Petro aspira repetir o feito de levar a esquerda ao poder em um país governado por elites conservadoras há 200 anos. Atrás de uma urna de vidro à prova de balas e com uma saudação militar, De la Espriella se tornou um fenômeno político, utilizando inteligência artificial e concedendo entrevistas onde se vangloria de sua carreira musical e da vida luxuosa que levava na Itália antes de sua campanha. "Ele se conecta com um eleitorado já muito cansado da insegurança e que precisa de soluções de choque", mas também personifica um modelo "aspiracional" do "empresário que construiu sua fortuna", afirma Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana. Ele defende o porte livre de armas, a construção de megaprisões, a extração de petróleo com a controversa tecnologia de fraturamento hidráulico, a redução do tamanho do Estado em 40% e afirmou que o "ideal" seria dolarizar a economia. Seus críticos argumentam que ele não tem experiência política e se revela por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos. Como advogado, De la Espriella defendeu paramilitares e narcotraficantes. Polarização A Colômbia tem sido historicamente o parceiro mais próximo dos Estados Unidos na América do Sul, e Washington investiu bilhões de dólares nas forças armadas e nos serviços de inteligência do país. Mas as relações se deterioraram após um desentendimento entre Trump e Petro. Trump chamou Cepeda de "marxista radical de esquerda", e Cepeda, por sua vez, afirmou que o país não será sua "colônia". O senador é conhecido por ter levado o ex-presidente de direita Álvaro Uribe aos tribunais investigado por ligações com paramilitares. "Tenho medo", "este é um dia decisivo para o país", diz Juan Alberto Martínez, um consultor financeiro de 51 anos em Barranquilla, em meio à polarização entre os dois lados.