Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.

Quem escreveu o parágrafo acima foi Jorge Luis Borges, o genial argentino que é um dos pais do realismo fantástico. O trecho faz parte do ensaio “O Livro”, que deveria ser obrigatório em todas as aulas nas escolas e faculdades, em missas, cultos e afins, mesmo nas celebrações de casamentos e festivais de música e carros de som e supermercados e farmácias e salões de beleza. Muitos livros, não apenas Borges.

Sim, o livro é isso tudo e se você duvida, camarada, é porque tem passado distante da literatura. O caminho de sua vida provavelmente será uma linha reta e míope.

Livros são objetos perigosíssimos. Eles têm o poder de transformar um cara como o Wesley Barbosa, que nasceu no fundão de São Paulo com muita probabilidade de seguir pela trilha errada, em um escritor relevante, uma mente agitada, criativa, que tem transformado a periferia da cidade com, veja só, seus livros. Se você não conhece o Wesley, pare de ler e vá comprar os livros dele, siga-o nas redes sociais.