Hotéis e resorts dos EUA estão apostando em estadias voltadas para casais com renda conhecidos como ‘Dinkwads’ e seus bichinhos de estimação, que se tornam uma força relevante no setor de viagens 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cães se hospedam de graça no Hotel Teatro, em Denver — Foto: Divulgação/Hotel Teatro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 18:43 Hotéis nos EUA se adaptam ao turismo pet-friendly para "Dinkwads" Hotéis e resorts nos EUA estão cada vez mais adaptados aos "Dinkwads" — casais com dupla renda, sem filhos, mas com cães. Este grupo cresce no setor de turismo, optando por luxos para seus pets, como menus gourmet e spas. A tendência reflete a escolha de muitos millennials por pets em vez de filhos, devido aos altos custos de vida e falta de apoio familiar. A indústria pet nos EUA deve movimentar US$ 165 bilhões em 2023. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Morgan Owens, empreendedora nas áreas de bem-estar, mídia e estilo de vida, recentemente se hospedou com seu Bichon Frisé de 7 anos, Ralph, no Hotel Lytle, em Cincinnati. Lá, eles assistiram à Netflix e pediram comida pelo serviço de quarto. (Ralph saboreou seu próprio bife com arroz.) Morgan fez uma massagem no Mitchell’s Salon & Day Spa, do outro lado da rua, e Ralph literalmente aproveitou a grama em todos os espaços verdes. — Tenho estado muito focada no trabalho, nossa geração passou pela Covid, fundos de DEI (diversidade, equidade e inclusão) foram recentemente retirados da minha empresa, e a lista continua... Então, a última coisa em que eu pensava era ter um filho — diz Morgan. Aos 40 anos, ela pode estar em um relacionamento estável e morando junto com o parceiro, mas quando se trata de escolher entre conforto e planejamento para ter filhos, “vou optar pelo hotel de luxo”. Contanto que Ralph possa ir junto, ressalta. Morgan Owens, de 40 anos, não quis ter filhos e só viaja para lugares luxuosos com seu cão Ralph — Foto: Divulgação Casais conhecidos como “Dinkwads”— Double income, no kids, with a dog (que pode ser traduzido como renda dupla, sem filhos, com um cachorro) — estão se tornando uma força relevante no setor de viagens. Abrindo mão de ter filhos porque não querem ou porque ainda não conseguem arcar com os custos, apesar da renda conjunta, esses casais estão preenchendo esse vazio com animais de estimação, a ponto de tratá-los como filhos. E os hotéis estão se adaptando a essa nova configuração familiar, oferecendo serviços de luxo mais inclusivos para cães, desde cardápios gourmet para os pets até spas personalizados para “filhos de quatro patas”. — Os Estados Unidos são um lugar bastante hostil para criar filhos. Há muito pouco apoio para famílias, desde os altos custos de creche até a proteção limitada para licença parental. O custo de tudo aumentou — diz Lindsay Bryan-Podvin, consultora financeira perto dos 40 anos. — Estou vendo mais pessoas escolherem ou aceitarem ficar em um relacionamento “Dinkwad”. Cerca de 53% dos americanos tinham animais de estimação em 2025, sendo os millennials a maior parcela, segundo um relatório da American Pet Products Association. Os gastos da indústria pet devem alcançar US$ 165 bilhões (R$ 848 bilhões) neste ano, acima dos US$ 158 bilhões (R$ 812 bilhões) em 2025. De acordo com uma pesquisa recente do Morgan Stanley, 34% dos entrevistados entre 18 e 34 anos pretendem ter um animal de estimação. — Não se trata tanto de mimar o cachorro, mas sim de mostrar que é algo que eu posso fazer — acrescenta Lindsay. — As pessoas dizem: “Sim, eu não consigo sustentar uma criança, mas sabe o que eu posso pagar? Um cachorro e os US$ 50 extras por noite para levá-lo nas férias”. Shipyard Beach, uma faixa de areia intocada na costa da Carolina do Sul, era o último lugar onde eu esperava encontrar um Goldendoodle brincando perto das dunas, quando visitei o local no ano passado. Dudley Do-Right é o adorado mascote do Sonesta Resort Hilton Head Island desde que sua tutora, a gerente de recreação Kathie Sendra, o levou para lá ainda filhote, em 2025. Ele é um exemplo bem visível (e adorável) de como os cachorros são bem-vindos no segmento de luxo. Por meio do programa Pets Are Welcome at Sonesta (PAWS), os hóspedes de quatro patas são recebidos no check-in com uma carta de boas-vindas e petiscos. Os quartos contam com itens essenciais pensados ​​para o seu bem-estar, como uma caminha aconchegante, e as áreas externas incluem espaços designados para caminhadas e necessidades fisiológicas, além de opções gastronômicas que aceitam animais de estimação. Charlie Dice, uma Dinkwad de 38 anos, considera seus cães como filhos, a ponto de aplicar uma lógica semelhante à criação de crianças para cuidar de seus animais de estimação: — Meu marido e eu tentamos ter dois cachorros ao mesmo tempo, porque, assim como com os filhos, achamos que é bom ter um irmãozinho. Ela leva seus dois cães da raça Bernese Mountain Dog, já adultos, para todos os lugares, da Península Superior de Michigan até Holanda e Noruega, em voos comerciais. Ela cita serviços em que os pets não precisam ir no compartimento de carga e empresas especializadas como a Bark Air, que começou oferecendo voos transcontinentais nos EUA por US$ 6.000 só de ida para cães. A Bark acaba de completar dois anos de operação e adicionou Tóquio às suas rotas internacionais, que já incluem Estocolmo, Atenas e Berlim. A empresa também lançou um serviço completo de concierge para animais de estimação. Refeição à mesa para cãozinho em hotel de luxo em Nova York — Foto: Divulgação Para Charlie Dice é algo natural mudar seus planos de viagem porque um hotel não aceita cães. — Buscamos acomodações que atendam às necessidades dos cães. Se nossos cães não puderem ir, jamais os deixaríamos em um canil — diz ela. — Poder passar mais tempo com eles enquanto estão aqui é o verdadeiro luxo, porque, infelizmente, eles não estarão aqui tanto tempo quanto nós.” O Teatro, um hotel boutique pioneiro em Denver, no Colorado, entende o quanto os cães podem influenciar a escolha do local e a duração da estadia dos hóspedes. A gerente-geral Courtney Griffith diz que isso é uma das razões pelas quais o hotel aboliu taxas para animais de estimação: —Cobrar taxas para animais de estimação pode parecer um pouco injusto quando se cobra do nosso querido bichinho de estimação. — No fim das contas, os Dinkwads tendem a viajar com mais frequência, a ficar mais tempo quando encontram um lugar que amam e se tornam extremamente fiéis — acrescenta Courtney. Em um estudo recente, 26% dos donos de cães citaram os cuidados com os animais durante viagens como o segundo maior desafio associado à posse de um cão. Em um estudo recente, 26% dos donos de cães citaram os cuidados com os animais durante viagens como o segundo maior desafio associado à posse de um cão. — Algumas pessoas entram em contato antes da estadia, dizendo que têm alergia, e somos muito transparentes sobre o fato de aceitarmos cães . Somos um destino para cães. Entendemos se não formos o hotel ideal para eles — ressalta Courtney. O Sanctuary Beach Resort em Monterey, na Califórnia, foi reformado em 2024 para oferecer uma experiência de luxo aos hóspedes que desejam aproveitar tudo o que uma viagem tem a oferecer — especialmente com seu pet a tiracolo. Sanctuary Beach, em Monterey, na Califórnia, hóspedes podem aproveitar sua estadia ao lado de seus pets — Foto: Divulgação — Sou uma pessoa "Sink", com renda única e sem filhos, de Nova York, e depois da Covid, acho que todos que se envolvem na cultura da correria (hustle no termo em inglês) perceberam como é importante fazer uma pausa — diz Kelli Sturges, diretora de experiências e programação para hóspedes. — Somos um lugar para se desconectar, o que é uma necessidade muito grande na cultura "Dink" — continua ela. — Quando você não tem obrigações familiares, tem mais horas para trabalhar, então "Dinks" acabam tendo mais esgotamento digital. Dunas e castelo A proximidade do resort com a Baía de São Francisco e uma área privada de dunas protegidas, já destinada a cães, rodeia chalés espaçosos e independentes e permitem bastante espaço para os cães se movimentarem sem invadir a privacidade dos outros hóspedes. — Nada disso faz você se sentir obrigado a se preocupar com as escolhas de vida de outras pessoas — diz Kelly Sturges. — Às vezes, os hóspedes pedem para ficar em quartos mais distantes dos cães, mas vemos o mesmo acontecer com hóspedes que têm filhos." — Nada disso faz você se sentir obrigado a se preocupar com as escolhas de vida de outras pessoas — diz Kelly Sturges. — Às vezes, os hóspedes pedem para ficar em quartos mais distantes dos cães, mas vemos o mesmo acontecer com hóspedes que têm filhos. Para Sydney Durieux, uma “Dinkwad” na casa dos 50 anos e dona de um Terrier Branco Escocês de 5 anos, “o segredo para viajar com seu cachorro é procurar um lugar que ofereça coisas para fazer juntos”. Ela o leva regularmente de Nova York ao Kilkea Castle, um icônico castelo no Condado de Kildare, na Irlanda, onde hóspedes de quatro patas podem passear pela floresta milenar Mullaghreelan Woods, fazer um piquenique especial para cães, participar do Wolfhound Experience, onde os cães visitantes podem interagir com os enormes cães irlandeses icônicos do castelo ou simplesmente relaxar no pub tradicional irlandês da propriedade. Sydney Durieux, uma Dinkwad na casa dos 50 anos, costuma levar seu terrier branco escocês de 5 anos, Sir William Wallace, de Nova York ao Kilkea Castle, no Condado de Kildare, na Irlanda — Foto: Divulgação Os cães também são ótimos quebra-gelos se conhecer outras pessoas for importante na sua viagem. — “As pessoas sempre vêm falar comigo e com meu cachorro — diz Sydney. — Acho que as pessoas ficam mais abertas e amigáveis quando você tem um cachorrinho que vai cumprimentando todo mundo. É um ótimo iniciador de conversa. Para Dice, isso é ainda mais fundamental: “Gosto de ver o mundo pelos olhos do meu cachorro — provavelmente é o mesmo com crianças. Em um lugar novo, eles ficam todos animados.”