Centenas de pessoas manifestaram-se este sábado na Baixa de Lisboa para protestar contra a sentença que condenou a pena suspensa o polícia que matou o cabo-verdiano Odair Moniz em Outubro de 2024, na Cova da Moura, Amadora.A iniciativa foi organizada pelo movimento Vida Justa, sob o lema "Sem justiça não há paz", e pretendia também chamar a atenção para o "racismo estrutural" da justiça. Outros colectivos, como a Frente Anti-Racista e o SOS Racismo, apoiaram a manifestação, que partiu às 18h do Largo de São Domingos."Violência policial é herança colonial" eram algumas das palavras de ordem entoadas pelos participantes na manifestação que, num final de tarde muito quente, desfilaram pelas ruas da Baixa de Lisboa. Nos cartazes de alguns manifestantes e nas faixas das organizações participantes lia-se "Justiça para Odair Moniz", "Sem justiça não há paz" e "Vidas negras importam", entre outras afirmações de protesto."Uma pessoa desarmada é abatida, e diz-se [na sentença] que é legítima defesa", declarou à Lusa Flávio Almada, activista do movimento Vida Justa, considerando que "a memória de Odair Moniz foi traída pela justiça". Acrescentou que a manifestação deste sábado foi também convocada para "chamar a atenção para outras pessoas que foram mortas pela polícia nas mesmas circunstâncias".Flávio Almada recordou a morte de um jovem de 14 anos, em 2009, que a justiça considerou como tendo sido "um evento infeliz" para ilibar o agente julgado pelo sucedido. A nova lei que cria zonas de impacto social e criminalidade foi ainda apontada pelo activista como sendo mais um sinal de "criminalização da pobreza e da imigração, da repressão e da deriva autoritária a que estamos a assistir".