Juçara Marçal está em todos os lugares.

A cantora vai de Sesc em Sesc na capital paulistana. Há quem a tenha visto recentemente no Instituto Moreira Salles, cantando em um espetáculo inspirado na cineasta Agnès Varda. Outros, que pararam por acaso diante de um palco montado no vão do Masp, a viram cantando Itamar Assumpção. Alguns sortudos viram alguma apresentação recente do Metá Metá, banda que Marçal integra com Kiko Dinucci e Thiago França, na Casa de Francisca.

"É um retrato de quem rala para caramba", diz a artista.

A resposta soa coerente para alguém que passou a maior parte da vida dividida entre a música e a sala de aula. Antes de se tornar referência da cena independente de São Paulo, Marçal foi professora universitária. Formada em letras, com mestrado em literatura brasileira, ela viveu durante décadas o cotidiano de quem conciliava ensaios, shows e correções de trabalhos.

Nascida em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e criada em São Caetano do Sul e, depois, em São Sebastião, no litoral paulista, a artista chegou a São Paulo no início dos anos 1980 para fazer vestibular, buscando exatamente o contrário do que a música prometia —uma profissão estável. Primeiro tentou matemática. Depois, jornalismo e, por fim, letras.