O número de deputados do Partido Trabalhista que já pediu publicamente a Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, que apresente a demissão ou que defina um calendário para uma transição de poder no topo do Governo e do Labour superou neste sábado a centena, segundo as contas da imprensa do Reino Unido.Louise Haigh, Patrick Hurley, Dawn Butler, Luke Charters, Fabian Hamilton, Jo White e Peter Swallow, membros trabalhistas da Câmara dos Comuns, juntaram-se àquela lista na sequência da enorme vitória de Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester e aspirante ao lugar de Starmer, na eleição suplementar de quinta-feira em Makerfield, no Norte de Inglaterra.Vencedor das últimas eleições legislativas, em 2024, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, tem neste momento 403 deputados na câmara baixa do Parlamento de Westminster.

“Espero que o primeiro-ministro aproveite o fim-de-semana para reflectir verdadeiramente sobre o resultado [em Makerfield] e para ouvir as opiniões do Conselho de Ministros e do grupo parlamentar do Partido Trabalhista”, disse Haigh, aliada de Burnham, aconselhando Starmer a evitar uma disputa interna pela liderança do partido e do executivo e a permitir uma “transição ordeira”.“Tudo aponta para que essa disputa seja brutal, desagradável e é muito improvável que o primeiro-ministro consiga sair vencedor no final”, acrescentou a ex-ministra dos Transportes.Na sexta-feira, depois de confirmada a eleição de Andy Burnham para o cargo de deputado em Markerfield – derrotando a direita radical e obtendo 55% dos votos –, que lhe permitirá desafiar formalmente Starmer e abrir uma corrida ao seu lugar, o primeiro-ministro insistiu que “não se vai embora” e que pretende participar em qualquer votação que o queira derrubar.Neste sábado, a imprensa britânica noticia, no entanto, que o líder do Governo estará em reflexão durante todo o fim-de-semana, para decidir, em conjunto com os seus ministros e com a família, se tem condições para continuar no cargo.Alguns órgãos de comunicação social, como a BBC, o Financial Times ou o Telegraph, dizem que Heidi Alexander, ministra dos Transportes, conversou na sexta-feira com Starmer e aconselhou-o apresentar um calendário para uma “transferência de poder”.Segundo a emissora pública, Ed Miliband, ministro da Segurança Energética, e Shabana Mahmood, ministra do Interior, já o tinham tentado convencer a adoptar essa posição após o resultado desastroso do Partido Trabalhista nas eleições autárquicas de Inglaterra e nas legislativas do País de Gales e da Escócia, realizadas no dia 7 de Maio.Em declarações à BBC, neste sábado, Charlie Falconer, antigo ministro trabalhista da Justiça e actual membro da Câmara dos Lordes, também concordou com a transição de poder, deixando palavras duras para o primeiro-ministro.“Temos de agir o mais rapidamente possível para resolver esta situação. A situação é totalmente insustentável para o país – temos um primeiro-ministro que não tem qualquer autoridade”, atirou o lorde Falconer.À espera de StarmerAndy Burnham, tal como Wes Streeting, o ex-ministro da Saúde que já anunciou que também pretende participar numa corrida à liderança do Labour e do Governo, não devem anunciar qualquer movimentação nesse sentido durante este fim-de-semana, estando a aguardar que seja Keir Starmer a tomar a iniciativa.De acordo com as regras internas do partido, para poderem desencadear formalmente e participar numa disputa interna, Burnham, Streeting ou qualquer outro deputado necessitam do apoio de pelo menos 20% da bancada parlamentar trabalhista (81 deputados). Se o fizerem, abre-se uma votação na qual participam os militantes do Labour, que Starmer diz que vai atirar o país para o “caos”.