Que sirva de lição para outras selecções neste Mundial. Não basta dominar a posse de bola, não basta fazer mais passes e não basta fazer mais remates para ganhar. A Turquia dominou todos estes índices estatísticos por larga margem nos seus dois primeiros jogos, mas perdeu no mais importante: golos marcados. Depois do 2-0 com a Austrália, nova derrota por 1-0, desta vez frente a um Paraguai que marcou logo aos 64 segundos e que fez metade do jogo em inferioridade numérica. E assim, aquele que era um candidato a ir longe, favorito no seu grupo (que inclui os EUA), é um dos primeiros a saltar fora do Mundial.No conjunto dos dois jogos, a Turquia fez 62 remates – 32 à baliza do Paraguai, 30 à baliza australiana. Marcou zero golos, o que é um recorde negativo em Mundiais – nunca nenhuma selecção rematou tanto sem marcar. 67% de posse de bola contra o Paraguai, 62% no jogo com a Austrália. 666 passes tentados no jogo com o Paraguai, 722 no confronto com os australianos. Domínio estéril e inconsequente, incapacidade de se adaptar a blocos defensivos compactos e vulnerabilidade nas transições ofensivas dos adversários.A falta de golo nesta selecção turca tem razão de ser e essa era uma das debilidades que lhe eram apontadas antes de começar o mundial: a falta de um ponta-de-lança inquestionável, como foi, por exemplo, Hakan Sukur. Nos dois jogos, a Turquia jogou com o ex-benfiquista Kerem Akturkoglu como homem mais avançado, mas o jogador do Fenerbahçe não é, de todo, um ponta-de-lança. O único “9” puro desta equipa era Deniz Gül, avançado que está longe de ser primeira opção no FC Porto, mas que foi lançado nos dois jogos, para uma utilização total de 35 minutos.Esta era, supostamente, a melhor geração do futebol turco, disposta a causar uma boa impressão no regresso da Turquia aos Mundiais 24 anos depois de 2002 – essa equipa, que tinha Hakan Sukur, Emre, Basturk, Reçber e Alpay, entre outros, foi longe no Mundial da Coreia/Japão, esteve quase a ir à final e ainda conseguiu ficar com o terceiro lugar. Mas esta equipa com dois dos melhores jogadores jovens da Europa, Arda Güler (Real Madrid) e Kenan Yildiz (Juventus), nem um golo marcou – terá oportunidade de, pelo menos, corrigir esse zero no jogo final da fase de grupos frente aos já apurados norte-americanos, que, por seu lado, foram extremamente eficazes, com duas vitórias e um registo de 6-1 em golos.