Ministro da Fazenda afirmou que há “outros temas” na frente, e citou a negativa do Senado à indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre indicações à diretoria colegiada do Banco Central (BC). O ministro concedeu entrevista ao JOTA. Ele defendeu que a indicação seja feita o “quanto antes”, mas o assunto está além de suas prerrogativas como ministro da Fazenda. Durigan declarou que há “outros temas” na frente, e citou a negativa do Senado à indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso passa por outras conversas do próprio presidente com as lideranças para o Congresso”, disse Durigan. “Já conversei com ele sobre isso, mas não conversei com ele sobre nomes do Banco Central”, completou. As diretorias de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução e de Política Econômica estão sendo acumuladas, respectivamente, por Gilneu Vivan (Regulação) e Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​​). Todas as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) realizadas em 2026 tiveram a ausência de dois integrantes por falta de indicações do presidente Lula. Durigan também comentou sobre a proposta de emenda constitucional (PEC) que concede autonomia financeira e orçamentária à autoridade monetária. Segundo Durigan, o BC não vive uma realidade diferente de outros órgãos públicos, em referência ao quadro de funcionários reduzidos. O ministro disse que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e outras instituições públicas também não tiveram contratação de servidores públicos e investimentos públicos. O ministro disse reconhecer que o BC teve falta de investimento e a autoridade monetária tem que ser fortalecida. “Não dá para você achar que vai resolver a PEC do Banco Central criando uma espécie de outro Poder que tem competência para mandar projeto de lei, porque, depois, eventualmente, outros órgãos vão querer ter essa autonomia”, declarou. Durigan disse que tem conversado com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a PEC. “Eu tenho dito isso muito claramente a ele. Entendo os problemas do Banco Central e acho que nós temos que fortalecer o BC. Tenho colocado de maneira muito transparante”, declarou. O centro da discussão se dará em relação à denominação jurídica do BC estabelecida pela PEC, se “entidade pública”, como quer o próprio Banco Central, ou “autarquia especial”, como prefere a equipe econômica. Ministro da Fazenda, Dário Durigan — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil