O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, "flexibilizou o bolso" e não tem "tanta dificuldade de liberar um dinheirinho". A declaração foi dada hoje, durante a apresentação do balanço do programa Imóvel da Gente e do anúncio de criação do primeiro fundo imobiliário com imóveis da União. "O Dario, que parece que flexibilizou o bolso dele, então já não tem tanta dificuldade de liberar um dinheirinho", disse, em tom humorado. Durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o "Conselhão", Lula minimizou a questão fiscal no país, ontem. O presidente também criticou os agentes financeiros que afirmam que "vai cair o mundo" se o governo federal registrar um déficit primário de 0,20% do Produto Interno Bruto (PIB). O Ministério do Planejamento e Orçamento divulgou, em 22 de maio, que o governo revisou de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,1 bilhões a estimativa de superávit primário nas contas de 2026. O resultado está dentro do intervalo da meta fiscal, que é de um superávit de 0,25% do PIB. Economistas têm alertado, no entanto, que medidas adotadas pelo governo federal neste ano eleitoral podem tanto elevar a dívida pública quanto dificultar o controle da inflação pelo Banco Central (BC). Desde o início deste terceiro mandato de Lula, a dívida bruta do governo geral já subiu mais de 8 pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto, passando dos 80% do PIB. Além disso, tanto as projeções oficiais do governo quanto de especialistas apontam que o indicador continuará subindo nos próximos anos. Entre as medidas anunciadas, estão uma linha de R$ 10 bilhões para modernização de máquinas e implementos agrícolas e outra, também de R$ 10 bilhões, voltada à indústria 4.0 e à produção de bens de capital verdes. O governo ainda destinou R$ 20 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para ampliar o funding do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) na faixa 3; reduziu os juros e ampliou os prazos do programa Reforma Casa Brasil; autorizou a transferência de R$ 14 bilhões ao Fundo Clima do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; e realizou um aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para ampliar o crédito a microempreendedores individuais e pequenas e médias empresas.