Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um método inovador para identificar estrelas que engoliram os planetas ao seu redor. A técnica baseia-se na detecção de variações na abundância de berílio –um elemento químico relativamente raro– e poderá abrir uma nova janela para o estudo da evolução de sistemas planetários.
Publicado na última terça (16) na revista Astronomy & Astrophysics, o estudo analisou um sistema binário formado por duas estrelas muito semelhantes entre si, ambas do tipo solar (com características físicas, químicas e de atividade magnética semelhantes às do nosso Sol), chamadas HD 129171 e HD 129209.
Em princípio, estrelas binárias como essas deveriam apresentar praticamente a mesma composição química, pois nasceram ao mesmo tempo e da mesma nuvem molecular (aglomerados de poeira e gás que funcionam como berçários estelares). No entanto, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre elas.
"A estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários, isto é, elementos que normalmente condensam em estado sólido e constituem planetas rochosos. Isso sugere fortemente que ela engoliu material planetário ao longo de sua evolução", afirma a doutoranda do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) Anne Rathsam, bolsista da Fapesp e primeira autora do artigo.











