Ato também representa maior avanço da política de 'paz total' do presidente, primeiro governante de esquerda do país, que tentou, sem sucesso, negociar com grupos armados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Membros do grupo Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) entregam armas após acordo com o presidente colombiano Gustavo Petro — Foto: Raul Arboleda/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 02:03 Guerrilheiros colombianos entregam armas e reforçam política de paz Quase cem guerrilheiros na Colômbia entregaram suas armas como parte de um acordo com o presidente Gustavo Petro, marcando um avanço significativo na política de "paz total". Este ato ocorre poucos dias antes das eleições presidenciais, nas quais o sucessor de Petro será escolhido. Os guerrilheiros, dissidentes das Farc de 2016, esperam consolidar acordos com o governo, enquanto permanecem em uma zona especial no sul do país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Cerca de uma centena de guerrilheiros entregou as armas nesta quinta-feira em uma região de selva no sul da Colômbia, no âmbito de uma negociação com o presidente de esquerda Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz. A três dias do segundo turno que definirá o próximo presidente, a entrega das armas é o primeiro passo para que os rebeldes possam se instalar em uma zona especial onde esperam consolidar acordos com o governo. O ato também representa o maior avanço da política de "paz total" de Petro, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, que tentou sem sucesso negociar com todos os grupos armados do país. Vestidos com uniformes camuflados, 99 rebeldes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) deixaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição "Aposta na vida, cumpro a paz", em meio à selva do departamento de Putumayo, no sul do país. "Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família", disse à AFP um rebelde sob condição de anonimato. Membros do grupo Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) entregam armas após acordo com o presidente colombiano Gustavo Petro — Foto: Raul Arboleda/AFP No domingo, os colombianos elegerão o presidente entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que promete dar continuidade à iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, defensor do fim de qualquer tipo de aproximação com as organizações ilegais. Petro entregará o poder em 7 de agosto. Os guerrilheiros, dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, são o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro. É "uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra", afirmou Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto a essa guerrilha. De rota da guerrilha a destino turístico: veja fotos do Cañon del Guape, na Colômbia 1 de 8 Antes usado como rota das Farc, o rio do Cañon del Guape, na Colômbia, agora atrai pessoas interessados em ecoturismo — Foto: Juan Barreto / AFP 2 de 8 Ora tranquilo, ora sereno, o rio do Cañon del Guape só foi redescoberto pelo turismo na Colômbia após o acordo de paz de 2016 — Foto: Juan Barreto / AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 O atrativo do rio, que já foi usado para transporte de armas da guerrilha colombiana, é a flutuação usando boias coloridas — Foto: Juan Barreto / AFP 4 de 8 Para chegar ao rio no fundo do cânion, os visitantes precisam caminhar pela floresta, na região central da Colômbia — Foto: Juan Barreto / AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Turistas flutuam em boias no Cañon del Guape, na Colômbia: rio entre paredões rochosos era usado por guerrilheiros da Farc — Foto: Juan Barreto / AFP 6 de 8 As boias coloridas usadas para a flutuação no rio do Cañon del Guape, na Colômbia — Foto: Juan Barreto / AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Turista com uma das boias coloridas usadas para a flutuação no rio do Cañon del Guape, na Colômbia — Foto: Juan Barreto / AFP 8 de 8 O cânion fica nos arredores da cidade de La Uribe, a 300km de Bogotá, palco de muitos conflitos entre o governo da Colômbia e os guerrilheiros nos anos 80 e 90 — Foto: Juan Barreto / AFP X de 8 Publicidade Cercado por paredões rochosos em meio á floresta, rio atrai visitantes que flutuam com boias em suas águas cristalinas Inédito Os rebeldes permanecerão durante dez meses nesse terreno, onde anteriormente havia plantações de coca, aguardando avanços sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica. A entrega de armas é incomum nesse tipo de negociação na Colômbia, país marcado por seis décadas de conflito armado. As Farc fizeram isso apenas um ano após a assinatura do acordo de paz. Em Putumayo, os guerrilheiros receberam kits de higiene e livros antes de ingressarem na zona onde permanecerão em casas equipadas com painéis solares, sob a proteção da unidade estatal de escoltas. As forças militares os transportaram de helicóptero desde territórios remotos até uma região do Vale do Guamuez, localidade onde permanecerão a partir desta quinta-feira. O próximo presidente poderá decidir encerrar a mesa de negociações, o que faria com que eles perdessem benefícios como a suspensão dos mandados de prisão. "Contribuir para a paz" Os rebeldes reunidos em Putumayo obedecem às ordens de Walter Mendoza, um ex-integrante das Farc que assinou o acordo de paz, mas voltou a pegar em armas em 2019 e que não participou do evento. "Sinto-me orgulhoso de contribuir para a paz", disse o guerrilheiro conhecido como Ferney, carregando sua mochila nas costas. "Meu desejo é me preparar em alguma profissão para nunca mais voltar a praticar nada ilícito nesta vida", acrescentou. Veja fotos de propriedades do narcotráfico apreendidas na Colômbia 1 de 5 Vista aérea da mansão Montecasino, em Medellín — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP 2 de 5 Banheira em formato de ostra na mansão Montecasino, em Medellín — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 Castelo de Marroquín foi cabaré, hospital psiquiátrico e sede de Cartel de Bogotá — Foto: Raul ARBOLEDA / AFP 4 de 5 Castelo de Marroquín foi construído no século XIX — Foto: Raul ARBOLEDA / AFP X de 5 Publicidade 5 de 5 Castelo neogótico que pertenceu a narcotraficante fica em Chía e vai virar universidade — Foto: Raul ARBOLEDA / AFP Veja fotos de propriedades do narcotráfico apreendidas na Colômbia Petro tem se recusado a extraditar comandantes guerrilheiros comprometidos com os processos de paz na Colômbia, o que tem gerado descontentamento em Washington. O presidente Donald Trump apoia abertamente De la Espriella nas eleições, em meio à pior onda de violência da última década. O governo estima que a CNEB tenha entre 2.000 e 2.500 integrantes. De la Espriella propõe uma política de "mão de ferro" para enfrentar rebeldes e narcotraficantes no país que mais produz cocaína no mundo. Embora a CNEB domine territórios estratégicos para a produção de drogas na fronteira com o Equador, ela é pequena quando comparada ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou a outras dissidências das Farc, como a liderada por Iván Mordisco, o rebelde mais procurado do país.
Quase cem guerrilheiros entregam armas na Colômbia após acordo com Gustavo Petro
Ato também representa maior avanço da política de 'paz total' do presidente, primeiro governante de esquerda do país, que tentou, sem sucesso, negociar com grupos armados










