Gostaria de fazer um pedido aos editores e aos psicanalistas deste país: lancem um livro sobre como educar idosos. Como prepará-los para o mundo? Como ser uma filha suficientemente boa, do tipo que frustra e supre, do tipo que oferece acolhimento de forma atenta, porém comete falhas graduais para que o velho se torne socialmente saudável.
Você mal entra em uma livraria, milhares de títulos sobre maternidade saltam na sua cara. Os livros que ajudam a instruir e formar crianças dominam as prateleiras e mesas expositoras, mas por que ninguém teve ainda a brilhante ideia de lançar um "Filha fora da caixa"? "Velhos franceses não fazem manha"? "O que esperar quando você está esperando (que eles caiam mais uma vez porque insistem em ter passadeiras e tapetes)"?
Percorri corredores e mais corredores de livrarias, vasculhei sites, mas não encontrei nada que me ajude a convencer um velho teimoso, com neuropatia periférica, a se mudar para uma casa sem escadas. Nem uma única obra "entre os mais vendidos do New York Times" que me ajude a suportar o fato de o mesmo idoso, também portador de insuficiência cardíaca, ter jogado no lixo a pulseirinha de monitoramento à distância.
Não existe um mísero guia que nos ajude a convencer um pai com úlcera a diminuir o consumo de emulsificantes, corantes artificiais e aromatizantes (ele chega a comer cinco pacotes de biscoitos recheados numa única tarde e, no dia seguinte, garante que está morrendo sem entender o motivo: 'Não fiz nada'). Muito se fala sobre os "terrible two", mas quem aí está falando sobre os "terrible eighty"?









