Unidade faz parte do Projeto Neves, principal ativo da companhia, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, com investimento previsto de até R$ 2 bi Demandas da IA e da indústria automobilística empurram expansão da indústria de lítio — Foto: Divulgação/Sigma Lithium A Atlas Lithium Corporation fez avanços na implantação da planta industrial de processamento de lítio no Brasil. A unidade de processamento por separação por meio denso (DNS), fabricada na África do Sul, já está em território brasileiro, pronta para montagem. A companhia já selecionou quatro fornecedores para dar início às obras. A expectativa é que a planta comece a operar entre o terceiro e o quarto trimestres de 2027. A planta industrial foi trazida para o Brasil em navio fretado, que desembarcou no porto de Santos (SP). “Foram 143 contêineres, de 140 cúbicos metros cada um. Estão aqui em Minas Gerais, em um local seguro, aguardando o início da montagem”, afirma Marc Fogassa, CEO e presidente da Atlas Lithium, ao Valor. A planta usa a técnica DNS, na qual o espodumênio passa por britagem e por um processo de decantação para separação do material com maior concentração de lítio. O processo dispensa o uso de barragens porque não gera rejeito líquido. O custo da planta é estimado entre US$ 25 milhões e US$ 26 milhões, incluindo frete, impostos e taxas. A unidade terá capacidade inicial para produzir 146 mil toneladas de concentrado de lítio a partir de espodumênio por ano, com potencial para dobrar de tamanho, o que dependerá das condições do mercado, segundo Fogassa. A unidade faz parte do Projeto Neves, principal ativo da companhia, localizado em Araçuaí, na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, com 557 quilômetros quadrados em direitos minerários, área quase três vezes maior que a da Sigma Lithium. O investimento previsto na implantação do projeto é de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões. O negócio tem uma taxa interna de retorno estimada em 145%, com valor presente líquido de US$ 539 milhões e retorno previsto em 11 meses. A Atlas Lithium já escolheu quatro empresas para dar início às obras. A Promon Engenharia será responsável por etapas de engenharia detalhada. A TSX Engineering fará a gestão da implementação do projeto. A Cerne Construções fará a construção das estruturas administrativas e operacionais, e a RETC Infraestrutura fará as obras de terraplenagem e construção civil. “Acredito que, nos próximos dois ou três meses, concluímos a escolha dos fornecedores”, diz Fogassa. A empresa também negocia a contratação de fornecedores para outras etapas do projeto. A previsão é que sejam gerados entre 3,5 mil e 4,5 mil empregos diretos e indiretos durante as obras e 500 empregos diretos na fase de operação industrial. O CEO diz que a média salarial dos funcionários da Atlas em Araçuaí é de R$ 12.703 por pessoa, bem acima da média salarial da região, de R$ 2.222, segundo o IBGE. Demanda de inteligência artificial Segundo ele, o custo projetado para a mina é de US$ 489 por tonelada de concentrado de lítio produzido, o que torna a operação atrativa, considerando que o preço internacional do concentrado gira em torno de US$ 2,5 mil por tonelada. “Há uma demanda crescente de data centers para inteligência artificial, que não podem ficar sem energia nem um milésimo de segundo. E a única forma de garantir isso é fazendo backup com bateria de lítio”, observa Fogassa. A produção já tem destino certo. A Atlas Lithium conta com três parceiros para fornecimento da produção esperada. A Mitsui comprará 15 mil toneladas da produção inicial de 150 mil toneladas da companhia. As chinesas Chengxin e Yahua investiram, cada uma, US$ 5 milhões e se comprometeram a adquirir 60 mil toneladas em cinco anos, com pagamento antecipado de US$ 20 milhões. A Yahua é uma fornecedora da Tesla, e a Chengxin é uma importante fornecedora da BYD. Além do Projeto Neves, a empresa tem outros alvos, incluindo o Projeto Salinas, localizado próximo à antiga área da Latin Resources, adquirida pela Pilbara Minerals, em 2024, por US$ 370 milhões. As perfurações iniciais em Salinas indicaram mineralização de lítio próxima à superfície. A área é considerada uma provável segunda fronteira de expansão. A Atlas Critical Minerals, subsidiária da Atlas Lithium, também apresenta avanços no projeto de extração de grafite. A empresa anunciou, em março, a consolidação do corredor mineralizado contínuo de grafite de 11 quilômetros em Minas Gerais. A área total do projeto foi ampliada em 124%, para 2,8 mil hectares. Os testes, segundo Fogassa, revelaram teores de carbono grafítico de até 19,4%. “Enviamos várias amostras a um laboratório em Illinois, nos Estado Unidos, e purificaram esses concentrados, alcançando 99,9% de pureza de carbono. Isso qualifica o grafite para uso em reatores nucleares”, disse Fogassa, que também é CEO e presidente da subsidiária. Ele observa que uma tonelada de grafite para uso nuclear é vendida, em média, a US$ 30 mil, enquanto no caso do grafite para bateria de carro elétrico, que tem uma exigência de pureza menor, o preço gira em torno de US$ 15 mil a tonelada. A Atlas Lithium é listada na Nasdaq e possui mais de 10 mil acionistas. Os maiores acionistas da empresa são o fundador, Marc Fogassa, com 17,66% do capital, o conglomerado japonês Mitsui & Co., que investiu US$ 30 milhões na empresa e detém hoje 6,34% das ações, e a gestora de fundos americana Citadel, que aportou outros US$ 10 milhões e tem 4,04% do capital. A empresa detém 21% de participação na Atlas Critical Minerals, também listada na Nasdaq.
Atlas Lithium avança na instalação de planta industrial no Brasil e prevê inauguração em 2027
Unidade faz parte do Projeto Neves, principal ativo da companhia, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, com investimento previsto de até R$ 2 bi
Atlas Lithium inicia planta de 146k ton/ano em Minas (inauguração 2027, ROI 145%, VAN US$ 539M). Cadeia garantida (Mitsui + fornecedores Tesla/BYD) viabiliza backup crítico em data centers AI—resposta à demanda por infraestrutura energética mission-critical.










