Dias antes do segundo turno das eleições de 2018, quando já se antevia a onda bolsonarista nas urnas, ganhou repercussão nacional um vídeo no qual o então deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmava que para fechar o Supremo Tribunal Federal não precisaria nem de um jipe, bastava “mandar um soldado e um cabo”. A bravata do filho Zero Três de Jair foi uma espécie de marco inaugural da série de declarações e ações em ameaça à democracia que caracterizou os quatro anos do governo de seu pai e que teve o STF – em particular o ministro Alexandre de Moraes – como alvo principal.

Nesta semana, com a condenação de Eduardo pelo Supremo em um processo no qual Moraes foi relator, os personagens se reencontraram em um episódio que torna ainda mais difícil o momento político do clã Bolsonaro em meio a divisões internas, falta de explicação convincente sobre a relação entre o senador Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o surgimento de novas denúncias contra o patriarca.

Por unanimidade, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão, com início em regime semiaberto, pelo crime de coa­ção à Justiça. É a primeira condenação de um filho de Jair Bolsonaro na Suprema Corte, nove meses após o ex-presidente ter recebido a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023. O deputado cassado foi também condenado a oito anos de inelegibilidade e à perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal.