Estou para conhecer alguém que deseje viver pouco. Por mais que reclamem da vida, todos querem ficar por aqui o máximo de tempo possível. Mas não a qualquer preço. Ninguém considera razoável passar os últimos dias jogado numa cama, com uma sonda no estômago, outra na bexiga, sem controlar os esfíncteres nem reconhecer os filhos, dando trabalho para a família.

Todos nós sonhamos com uma pílula mágica, um alimento qualquer ou uma intervenção milagrosa que nos permita chegar aos 100 anos com lucidez, vigor físico e liberdade de movimentos – se possível, sem fazer esforço.

Embora a sociedade aguarde ansiosa, a ciência não consegue dar essa resposta. Não por má vontade, mas pela ­dificuldade­ de conduzir estudos que permitam tirar conclusões definitivas.

Por exemplo, será que a dieta vegetariana aumenta a expectativa de vida? Um estudo observacional consistiria na avaliação dos anos vividos pelos vegetarianos, comparando-os com os dos que consomem carnes e outros derivados.

Veja quantos erros podem envolver um estudo desse tipo. Vamos imaginar que ele mostre que vegetarianos vivem mais tempo. Será porque os vegetarianos são mais cuidadosos, fazem exercícios, não fumam nem tomam álcool e vão ao médico com mais regularidade? Os participantes teriam obedecido com rigor as dietas dos grupos, para os quais foram alocados? Não seriam essas as verdadeiras causas da maior expectativa de vida desse grupo?