Assistente agora é turbinada por IA generativa e estará disponível gratuitamente para membros do Amazon Prime 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alexa+ chega ao Brasil nesta quinta — Foto: Bruno Romani/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 00:23 Amazon Lança Alexa+ no Brasil com IA Avançada para Prime Members A Amazon lançou no Brasil a Alexa+, versão atualizada da assistente digital com inteligência artificial generativa, disponível gratuitamente para membros do Amazon Prime. A Alexa+ promete interações mais fluidas e inteligentes, integrando tarefas domésticas com habilidades de IA avançadas. Embora enfrentando desafios iniciais de desenvolvimento, a assistente agora utiliza mais de 70 modelos de IA, com forte adaptação à cultura brasileira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Alexa, a assistente digital da Amazon, está mais esperta no Brasil — ao menos, é o que promete a gigante fundada por Jeff Bezos. A companhia anuncia nesta quinta (18) a chegada ao país da Alexa+, versão da ferramenta turbinada por inteligência artificial (IA) generativa. O serviço será gratuito para membros do Amazon Prime, enquanto para não assinantes custará R$ 99,90 por mês. Disponível desde fevereiro deste ano nos EUA, Alexa+ foi lançada como uma ambiciosa reformulação da assistente virtual, recebendo o que analistas chamaram de um "transplante cerebral de IA". O objetivo é aliar as tarefas domésticas cotidianas clássicas do serviço a novas habilidades conversacionais de IA generativa, tornando a interação mais fluida e inteligente do que a versão tradicional. Ou seja, ela une as respostas básicas, como pedidos para tocar música ou acender lâmpadas, com a arquitetura dos grandes modelos de linguagem (LLMs) — é possível manter diálogos sem repetir a palavra de ativação "Alexa". Amazon lança Alexa Plus e entra de vez na era dos chatbots — Alexa original já era um produto bem sucedido e muito amado no mundo. Existem mais de meio bilhão de dispositivo da Alexa usado hoje em dia, mas a gente tinha chegado no limite do que podia oferecer com a tecnologia disponível na época e hoje. Graças à inteligência artificial generativa, a gente pode chegar mais perto da nossa visão original — disse em apresentação para jornalistas Talita Bruzzi Taliberti, gerente de Alexa no Brasil. Para modernizar a assistente, a gigante precisou refazer sua inteligência zero, um processo que nem sempre foi suave. Durante o desenvolvimento, Alexa+ sofreu com respostas imprecisas, latência e custo elevado de operação dos modelos, o que pressionou o comando da empresa em 2023 e 2024. Quando encontrou o rumo, a gigante conectou seus aparelhos à plataforma Bedrock, que a Amazon oferece a seus clientes corporativos. Assim, a nova Alexa tem a sua disposição mais de 70 modelos de IA, que são acionados conforme a complexidade da tarefa e a sua performance no idioma em que é executado. Ao GLOBO, Michele Butti, vice-presidente de Alexa internacional, explicou o funcionamento do novo cérebro. — A Alexa tem um orquestrador de IA na nuvem e não depende do dispositivo para escolher o modelo. No aparelho, tem outros processamentos locais, como reconhecimento da voz. Desde do começo, não queríamos limitar a Alexa, pois a performance de cada modelo pode ser diferente em cada idioma. Escolhemos o mais certo para cada situação. Como não depende do dispositivo, a empresa afirma que 98% dos aparelhos Echo vendidos no Brasil serão compatíveis com a nova plataforma, apenas alguns modelos de primeira geração não funcionarão — a companhia também não garantiu o funcionamento com aparelhos de terceiros, como TVs, que têm Alexa embarcada. Para isso, a Amazon afirmou que conversa com os parceiros. A chegada para todos os assinantes brasileiros será de forma gradual ao longo dos próximos meses, mas será imediata para quem comprar dispositivos Echo a partir desta quinta. Por outro lado, os executivos contam que o processo de adaptação da nova Alexa para uma personalidade mais "brasileira" demorou meses, exigindo ajuste fino do prompt system (a configuração central do sistema). Cada vez que a assistente chega a um país passa pelo processo de localização. Na nova versão brasileira, até a voz da assistente mudou, embora os usuários tenham a opção de preservar a voz que se tornou presente no cotidiano de muitos usuários — nos últimos três anos, os brasileiros interagiram com a Alexa mais de 60 bilhões de vezes. — Eu acho que Alexa está bem sintonizada com os brasileiros e com a cultura brasileira. Isso pra gente é muito importante, porque os grandes modelos de linguagem são multilíngues, mas, na verdade, tendem a ser monoculturais. Isso porque são treinados principalmente com dados em inglês dos Estados Unidos. Então, tendem a raciocinar e a se comportar como se fossem americanos. Mas esse não é o caso da Alexa+ — disse Butti. Alexa+ é compatível com 98% dos dispositivos Echo em funcionamento no Brasil — Foto: Bruno Romani/O Globo Dificuldades na era da IA Nos EUA, apesar dos novos recursos, a plataforma ainda não alcançou a popularidade esperada em seus primeiros meses. A utilidade prática das novas habilidades conversacionais foi questionada diante da concorrência de outros chatbots de IA — preocupações sobre a privacidade da assistente também assustam alguns usuários. A Amazon tenta diferenciar a sua assistente dizendo que ela se trata de uma "IA de ambiente" com consequências no mundo real. Ainda assim, com a sofisticação dos concorrentes, que começam a entrar na era dos agentes, a companhia fundada por Bezos tem um grande desafio para se manter no radar dos usuários. Assim como a Apple, que na semana passada mostrou a Siri AI, nova versão de sua assistente digital, a Amazon vem sofrendo para apresentar uma estratégia de IA mais consistente — ao menos, na face voltada para o consumidor comum. Desde o boom do ChatGPT, a companhia fracassou em acompanhar a revolução da IA generativa, com a Alexa falhando em se atualizar e monetizar. Os problemas ficaram mais acentuados diante do fato de que a gigante não conseguiu converter sua vasta base instalada de alto-falantes Echo em uma fonte de receita recorrente por meio de serviços de IA. Em 2023 e 2024, a gigante enfrentou burocracia e disputas internas em suas iniciativas de IA e acabou trocando o comando da equipe de dispositivos, que substituiu o veterano Dave Limp por Panos Panay, que saiu da Microsoft, onde liderava a linha Surface. Foi só no começo de 2025 que a Amazon mostrou a Alexa+ —e demorou mais um ano até que o serviço fosse oferecido de forma ampla nos EUA. Os percalços da Alexa contrastam com a outra face da estratégia da gigante no mundo da IA, que envolve a camada de infraestrutura do setor. No primeiro trimestre deste ano, a Amazon registrou receita de US$ 181,5 bilhões (alta de 17%), com a AWS crescendo 28%, para US$ 37,6 bilhões. O grande pilar é o negócio de chips próprios, que já gera mais de US$ 20 bilhões em receita anualizada, com o Trainium2 praticamente esgotado e o Trainium3, lançado no início de 2026, quase todo reservado.