Plataforma de captação de recursos criada Vib3 prevê aos investidores retorno de 20% de todas as premiações, patrocínios e recursos obtidos com eventos Quando entrar no octógono do Ultimate Fighting Championship (UFC) no próximo sábado (20), o invicto peso-mosca brasileiro André Mascote completará sua 12ª luta profissional, a quinta na principal organização de artes marciais mistas (MMA, na sigla em inglês) mundial. O combate contra o peruano Kevin Borjas, em Las Vegas (EUA), será o primeiro depois do lançamento de uma ferramenta de captação de recursos que tem como meta levantar R$ 526 mil para apoiar o atleta pelos próximos oito anos, garantindo para os investidores o retorno de 20% de todas as premiações, patrocínios e recursos obtidos com eventos por Mascote. A ferramenta, criada pela Vib3, joint venture entre a Sportheca e o Mercado Bitcoin (MB), é regulada pela Instrução CVM 88, que disciplina o financiamento participativo no país, e está com a captação aberta para apoiar a carreira de Mascote desde maio. MB e Sportheca se juntaram para criar a Vib3 e montar um modelo para incentivar jovens talentos e, ao mesmo tempo, colocar uma alternativa de investimento no mercado. A captação para financiar a carreira de Mascote é o primeiro produto da Vib3 lançado ao público, embora a empresa estude outros nomes em esportes como surfe, skate, boxe e automobilismo. “A Vib3 hoje é esporte, mas queremos transformá-la em uma plataforma de entretenimento”, diz o CEO Adriano Ferreira, ressaltando que existe a possibilidade de tokenização de direitos sobre músicas — com remuneração ao investidor via recursos pagos pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e de plataformas de streaming. Ele explica que toda a montagem e divulgação do produto são feitas pela Vib3, mas a negociação e venda dos tokens ocorrem na plataforma do MB, que tem as autorizações da CVM para atuar no mercado. A ideia é que a antecipação desses recursos permita ao atleta dedicação total e exclusiva, inclusive com a contratação de profissionais de apoio. Para a concretização da operação, foi criada uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que tem Mascote como titular. Todos os contratos feitos pelo atleta, inclusive com o UFC, serão feitos por essa SPE, que receberá os pagamentos e distribuirá a parte devida aos investidores. A captação segue aberta e, pelas regras da CVM, pode durar até 180 dias, prazo que se encerra em novembro, mas a expectativa é de que os R$ 526 mil sejam alcançados antes da data-limite. Em termos de retorno do investimento, a Vib3 traçou três cenários. No primeiro, mais otimista, que projeta uma carreira de campeão e vitórias a longo prazo, a receita total projetada para o atleta é de cerca de R$ 7 milhões ao longo de oito anos, com dividendos de R$ 1,5 milhão para os investidores. O cenário base é que o lutador gere R$ 3,9 milhões ao longo dos oito anos, o que significará dividendos entres R$ 880 mil e R$ 900 mil. No cenário pessimista, que abarca possíveis lesões com períodos longos de recuperação, a projeção é de uma receita gerada de R$ 2,2 milhões, o que significa um volume de dividendos de cerca de R$ 545 mil. “A captação é para que o atleta não faça nada além de treinar. Esse recurso é para fazer justamente que o atleta chegue [à competição] com mais condição do que um outro atleta que não tenha o apoio”, ressalta Ferreira. Ele destaca ainda que os investidores que aportarem mais recursos poderão ter acesso a experiências como ingressos para as lutas e participação em eventos ligados ao atleta. “Nossa proposta é transformar muito a relação do fã com o atleta. Queremos trazer uma proposta e conectar esse fã com o atleta”, diz. Importância para o atleta A gestão dos recursos arrecadados na captação para aplicação na carreira de Mascote ficará a cargo da All In Sports Management, indicada pelo atleta e comandada pelo empresário do lutador, Stefano Sartori, que afirma que a ferramenta surge para suprir um déficit no Brasil para o financiamento de atletas iniciantes. “É muito importante para os atletas ter um acompanhamento multidisciplinar nesse ponto [da carreira]. Não apenas um acompanhamento técnico, como eles têm com os treinadores, mas também multidisciplinar, com preparadores físicos, médicos e nutricionistas”, diz Sartori. A All In é uma agência especializada em gerenciar a carreira de lutadores, não apenas de MMA, mas também de boxe, jiu-jitsu e outros. Sartori diz que há atualmente no país um grande número de atletas com demanda para esse tipo de apoio. “Podemos estar vendo o surgimento de um movimento inovador, da maneira como tratamos o financiamento de carreiras de atletas. Estamos fazendo uma fusão entre o investimento, a engenharia financeira, e a possibilidade de o investidor se engajar mais na carreira do atleta”, afirma. André Mascote, atleta brasileiro no UFC — Foto: All In / Divulgação