Ofensiva israelense levanta dúvidas sobre até que ponto Trump irá forçar seus aliados de guerra a interromper as hostilidades que ele se comprometeu a encerrar Vista de uma rua de lojas danificada por ataques israelenses, em Nabatieh, Líbano , 17 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Zohra Bensemra Forças militares de Israel lançaram novos ataques aéreos contra o Líbano na manhã desta quinta-feira (18), mesmo após o acordo preliminar para encerrar os conflitos no Oriente Médio ter sido assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian. Agora, a ofensiva israelense levanta dúvidas sobre até que ponto o presidente americano irá forçar seus aliados de guerra a interromper as hostilidades que ele se comprometeu a encerrar. A antecipação da assinatura do "memorando de entendimento", que antes era prevista para ocorrer formalmente na sexta-feira, antecipou a entrada em vigor dos termos acordados por Washington e Teerã. O texto prevê o início de um período de negociações de 60 dias para alcançar um acordo definitivo sobre a guerra, lançada por Trump em fevereiro em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a extensão, por igual período, do cessar-fogo entre os países, com a inclusão do Líbano, embora Israel continue a reivindicar o direito de combater a milícia xiita Hezbollah, aliada do Irã em território libanês. Israel, que lançou uma invasão em março e desde então ocupou uma vasta faixa do sul do Líbano em sua perseguição a combatentes do Hezbollah, que abriram fogo através da fronteira em apoio a Teerã, foi excluído das negociações – algo que fez com que Netanyahu se tornasse alvo de críticas internas, inclusive de aliados, por ter adotado uma postura considerada passiva em relação a Trump. O Irã sempre afirmou que qualquer acordo de paz também deveria abranger o Líbano. Em uma aparente concessão importante ao Irã, o memorando assinado por Trump prevê explicitamente a "cessação permanente" da guerra no Líbano e a garantia de sua "integridade territorial e soberania". Como o Líbano é uma das questões mais delicadas do esforço de paz, o presidente americano passou nos últimos dias a criticar abertamente as operações de seu aliado no país, acusando Israel de destruir desnecessariamente prédios inteiros para atingir combatentes do Hezbollah. Um homem caminha com um menino, que carrega uma bandeira do Hezbollah, em frente a um mural que retrata o ex-líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e outras figuras importantes, no dia em que o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, fez um discurso televisionado, perto do túmulo de Hassan Nasrallah, nos arredores de Beirute, Líbano , em 17 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir Duas autoridades israelenses, incluindo uma autoridade de alto escalão próxima a Netanyahu, disseram à Reuters nesta quinta-feira que Israel está negociando com os EUA para tentar manter seu destacamento militar no sul do Líbano. Embora os combates no Líbano tenham diminuído no início desta semana, quando Trump anunciou pela primeira vez que um acordo havia sido alcançado, eles voltaram a se intensificar nos últimos dias e continuaram na manhã desta quinta-feira, mesmo após a assinatura de Trump. A imprensa estatal libanesa informou que ataques aéreos e disparos de artilharia atingiram cidades do sul do país, matando pelo menos uma pessoa dentro de um carro. Repórteres da Reuters ouviram um drone israelense voando a baixa altitude sobre Beirute e seus subúrbios ao sul. "O Irã e os americanos resolveram a questão. Tudo bem. No Líbano, ainda não acabou", disse Mohammed Doghman, um homem deslocado da cidade de Nabatieh, no sul do país, para Beirute, enquanto estava sentado do lado de fora de sua barraca nesta quinta-feira, forçando a vista para ler as notícias em seu celular. "Eles deveriam nos dar uma resposta definitiva: a guerra acabou de vez ou vamos voltar a ela?" A autoridade israelense de alto escalão, que falou sob condição de anonimato por causa da sensibilidade das negociações, disse à Reuters que Israel está conduzindo "negociações obstinadas" com Washington sobre a continuidade de seu destacamento militar no sul do Líbano. Israel não recuará de sua posição, incluindo a exigência de manter tropas destacadas no que descreve como uma zona de segurança ao sul do rio Litani, que atravessa o sul do Líbano. A segunda autoridade israelense disse à Reuters que o desfecho das negociações dependerá, em última instância, de Trump "decidir forçar a questão", ameaçando impor consequências caso Israel não cumpra os termos do acordo provisório com o Irã. O gabinete de Netanyahu não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O premiê israelense, o mais longevo da história do país, há anos destaca sua relação particularmente próxima com Trump, que resultou em mudanças significativas na política americana em favor de Israel durante o primeiro mandato do presidente republicano e, por fim, na decisão conjunta de iniciar a guerra contra o Irã neste ano. Mas a aparente mudança de postura de Trump em relação ao Líbano provocou repentinamente uma das maiores divergências nas relações entre Estados Unidos e Israel em décadas. O memorando de entendimento entre Washington e Teerã tem sido amplamente lamentado em Israel em praticamente todo o espectro político. "Em breve, Israel poderá ser forçado a escolher: ou manter a pressão militar e perder o apoio diplomático de Trump, ou permanecer em sintonia com ele, mas apenas encerrando ou reduzindo o conflito que muitos consideram a luta mais urgente do país", escreveu o jornal Times of Israel nesta quinta-feira. Uma tenda para pessoas deslocadas na orla de Beirute, após a assinatura de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra, em Beirute, Líbano , 18 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Khalil Ashawi