O Brasil acaba de bater mais um recorde silencioso: deve R$ 330,4 bilhões em precatórios. É o maior estoque da história —alcançado no mesmo ano em que o país pagou o maior volume já registrado, R$ 113,4 bilhões. Pagamos como nunca e, ainda assim, devemos como nunca. É o que mostra o Mapa Anual dos Precatórios 2025, divulgado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
O número incomoda, e deve mesmo incomodar. Ele revela que o sistema brasileiro de pagamento de dívidas judiciais não está apenas atrasado, mas estruturalmente quebrado. E o pior: a EC (Emenda Constitucional) 136, de setembro de 2025, em vez de corrigir a rota, institucionalizou o desequilíbrio.
Em um ano, os tribunais expediram R$ 122,6 bilhões em novos precatórios. Os entes públicos pagaram R$ 113,4 bilhões. A diferença já bastaria para a dívida crescer. Somando a correção monetária ao passivo antigo, chegamos ao valor atual da dívida. Mesmo com esforço fiscal recorde, a entrada superou a saída. Não é falta de pagamento, é falta de estrutura. Enquanto o passivo for tratado como despesa residual e não como compromisso constitucional vinculante, qualquer pagamento será só remendo.
São Paulo, somando estado e municípios, concentra sozinho R$ 112,2 bilhões. É mais do que toda a dívida da União, mais do que o Norte e o Nordeste juntos. Um terço de toda a dívida nacional de precatórios está em um único estado.










