Só três documentos tiverem o endosso brasileiro: o da luta contra o tráfico de drogas, de apoio ao combate global contra o câncer e de regulação da internet para menores de idade O Brasil rejeitou a maior parte das declarações aprovadas na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses. Dos nove textos publicados nos três dias de reuniões, o Brasil endossou três: o da luta contra o tráfico de drogas, de apoio ao combate global contra o câncer e de regulação da internet para menores de idade. O Brasil não faz parte do G7, grupo das nações mais desenvolvidas que reúne Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá, e não pode propor alterações nos textos, mas tem a possibilidade de apoiar as declarações. “O Brasil tem uma visão diferenciada”, destacou o presidente Lula em uma coletiva em Genebra, após o encerramento da reunião do G7. “Notamos que o debate está ficando um samba de uma nota só”, disse Lula se referindo à sessão de trabalho da manhã de quarta-feira que discutiu a retomada de um crescimento econômico mundial equilibrado e sustentável. A redução dos desequilíbrios macroeconômicos globais foi uma das prioridades da presidência francesa no G7. Para o líder francês, Emmanuel Macron, a China produz muito e consome pouco, Estados Unidos consomem demais e financiam isso com capitais externos e europeus investem pouco. Os desequilíbrios provocam tensões comerciais e geopolíticas. “Quando vamos discutir a questão do desequilíbrio da política mundial a gente volta ao debate que está na moda há dez anos”, ressaltou Lula, se referido à disputa entre Estados Unidos e China. Lula lembrou ainda que os europeus preferiram, após a queda do Muro de Berlim, investir no Leste Europeu, deixando um pouco a América Latina de lado. “Eu disse ao presidente Trump que faz muitos anos que o Brasil faz licitações internacionais e que os Estados Unidos não participam. Nem a União Europeia. Quem participa é a China. Essa é a vantagem que a China leva.” A declaração do G7 “para um crescimento mais equilibrado, sustentável e resiliente” teve o apoio de três dos cinco países convidados, Egito, Quênia e Coreia do Sul. Brasil e Índia não apoiaram. O Brasil também não endossou a declaração sobre minerais críticos por avaliar que o texto está focado na ideia de enfrentamento com a China ao afirmar que os países do G7 “estão muito preocupados com a utilização de práticas e medidas não comerciais e de coerção econômica, sobretudo as restrições arbitrárias à exportação e medidas de retorsão relacionadas aos minerais críticos.” “Vou dizer de maneira pragmática o que fizemos: ou abordamos todos os temas que sabemos que não estamos de acordo com os Estados Unidos, como clima, papel da ONU, tentamos retomar isso. Quando não funciona, não vamos fazer 6+1 porque nesse caso não serve para nada fazer um G7”, ressaltou Macron. Para evitar que Trump fosse embora antes do encerramento, como fez no ano passado, Macron o convidou para um jantar no palácio de Versalhes na noite de quarta-feira para celebrar os 250 da independência americana. Trump disse estar feliz com o evento noturno “no mais belo palácio do mundo.” Macron afirmou que o veto da Comissão Europeia à carne brasileira é uma decisão “pontual” do órgão “que faz bem seu trabalho ao controlar se as regras sanitárias para proteger os consumidores do bloco são respeitadas.”
Brasil rejeita maior parte das declarações no G7
Só três documentos tiverem o endosso brasileiro: o da luta contra o tráfico de drogas, de apoio ao combate global contra o câncer e de regulação da internet para menores de idade











