Os textos endossados pelo Brasil versam sobre a luta contra o tráfico de drogas; apoio ao combate global contra o câncer e regulação da internet para menores de idade O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega para reunião do G7, em Evian-les-Bains, na França — Foto: Christian Hartmann/Reuters O Brasil rejeitou a maior parte das declarações aprovadas na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses. Dos nove textos publicados nos três dias de reuniões, o Brasil endossou apenas três: o da luta contra o tráfico de drogas, de apoio ao combate global contra o câncer e de regulação da internet para menores de idade. O Brasil não faz parte do G7 — grupo das nações mais desenvolvidas que reúne Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá — e não pode propor alterações nos textos, mas tem a possibilidade de apoiar (ou não) as declarações. “O Brasil tem uma visão diferenciada”, destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista coletiva em Genebra, após o encerramento da reunião do G7, nesta quarta-feira (17). “Notamos que o debate está ficando um samba de uma nota só”, disse Lula, se referindo à sessão de trabalho da manhã desta quarta-feira (17) que discutiu a retomada de um crescimento econômico mundial equilibrado e sustentável. Desequilíbrios macroeconômicos globais A redução dos desequilíbrios macroeconômicos globais foi uma das prioridades da presidência francesa do G7. Para o líder francês, Emmanuel Macron, a China produz muito e consome pouco, os Estados Unidos consomem demais e financiam isso com capitais externos e os europeus investem pouco. Os desequilíbrios, afirma a França, provocam tensões comerciais e geopolíticas. “Quando vamos discutir a questão do desequilíbrio da política mundial a gente volta ao debate que está na moda há dez anos”, ressaltou Lula, se referindo à disputa entre Estados Unidos e China. O chefe do Executivo brasileiro disse não querer uma Guerra Fria entre as duas potências econômicas. Sem queixas da China “Quanto mais negociações fizermos, melhor para todo mundo”, disse Lula, ressaltando não ter “nenhuma queixa” da China e que o superávit do Brasil com o país é de US$ 165 bilhões, enquanto com os Estados Unidos há um déficit de US$ 10 bilhões. O presidente brasileiro lembrou ainda que os europeus preferiram, após a queda do Muro de Berlim, investir no leste europeu, deixando a América Latina de lado. “Eu disse ao presidente [Donald] Trump que faz muitos anos que o Brasil faz licitações internacionais e que os Estados Unidos não participam. E nem a União Europeia. Quem participa é a China. Essa é a vantagem que a China leva”, destacou Lula. Segundo ele, o país asiático ocupou um espaço que estava vazio pela ausência de americanos e de europeus. A declaração do G7 “para um crescimento mais equilibrado, sustentável e resiliente” teve o apoio de três dos cinco países convidados, Egito, Quênia e Coreia do Sul, mas não do Brasil nem da Índia. Minerais críticos O Brasil também não endossou a declaração sobre minerais críticos — tema importante para o governo brasileiro — por avaliar que o texto está focado na ideia de enfrentamento com a China ao afirmar que os países do G7 “estão muito preocupados com a utilização de práticas e medidas não comerciais e de coerção econômica, sobretudo as restrições arbitrárias à exportação e medidas de retorsão relacionadas aos minerais críticos.” Estados Unidos e Europa tentam reduzir sua dependência dos minerais críticos e terras raras da China. “Esse G7 não foi, em momento algum, antichinês. Não é a posição da França. Há diferenças em relação aos valores democráticos, desacordos, mas sempre uma política de respeito”, disse Macron na entrevista coletiva de encerramento da cúpula. O líder francês, que presidiu o G7, recebeu críticas por deixar temas de lado, como o aquecimento global, para não afastar Trump das discussões. Acenos e mimos a Trump Vou dizer de maneira pragmática o que fizemos: ou abordamos todos os temas que sabemos que não estamos de acordo com os Estados Unidos, como clima, papel da ONU, ou tentamos retomar isso. Quando não funciona, não vamos fazer 6+1 porque, nesse caso, não serve para nada fazer um G7”, ressaltou o líder francês. Para evitar que Trump fosse embora antes do encerramento da cúpula do G7, como fez no ano passado, Macron convidou o americano para um jantar no Palácio de Versalhes na noite desta quarta-feira para celebrar os 250 da independência americana. Trump, por sua vez, disse estar feliz com o evento noturno “no mais belo palácio do mundo”. O presidente da França, Emmanuel Macron, conduz seu homônimo dos EUA, Donald Trump, por um tour pelo Palácio de Versailles, antes de jantarem no local — Foto: Anna Moneymaker/Pool via REUTERS
Brasil rejeita seis dos nove textos aprovados pelo G7
Os textos endossados pelo Brasil versam sobre a luta contra o tráfico de drogas; apoio ao combate global contra o câncer e regulação da internet para menores de idade










