Sistemas bípedes são mais complexo, consomem mais energia e têm equilíbrio precário, mas têm outras vantagens, como subir escadas e serem mais carismáticos aos investidores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Robôs com rodas ou pernas? — Foto: Montagem com fotos de divulgação da Diligent Robotics e de Lucas Tavares, da Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 12:12 Debate sobre Pernas ou Rodas em Robôs Humanoides Ganha Destaque A discussão sobre se robôs humanoides devem ter pernas ou rodas é central no setor. Robôs com rodas, como Moxi e Roxi, são práticos e confiáveis em ambientes como hospitais, enquanto robôs bípedes, apesar de complexos e com alto consumo de energia, oferecem vantagens como subir escadas e atraem investidores. Empresas como a Disney optam por tecnologias que mantêm a personalidade dos personagens em seus parques temáticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Andar sobre rodas ou caminhar com as próprias pernas? Na era dos robôs humanoides, esta se tornou quase uma "questão existencial" entre os fabricantes. Depois de anos tentando resolver "o problema das mãos", ou seja, a motricidade fina necessária para que um robô seja humanoide, o grande tema agora parece ser o que está abaixo das cinturas desses seres de metal. No Centro de Saúde Providence Saint John’s, em Santa Monica, na Califórnia, um robô humanoide usando um capacete plástico dos Dodgers circula pelos corredores. Ele para em frente a um laboratório de oncologia, onde uma técnica se aproxima e retira um pacote de uma das três gavetas localizadas abaixo de seu tronco. A técnica agradece ao robô, chamado Moxi, que então pisca, gira e segue em direção ao elevador. Moxi e sua “irmã gêmea”, Roxi, realizam dezenas de tarefas desse tipo no hospital todos os dias, incluindo a entrega de amostras laboratoriais e medicamentos, além do transporte de suprimentos e roupas de reposição. A empresa por trás das máquinas, a Diligent Robotics, uma startup de Austin, implantou esses robôs em mais de 25 sistemas de saúde em todo o país. Moxi e Roxi representam a promessa que muitos especialistas em tecnologia enxergam nos robôs com forma humana, capazes de funcionar em um mundo projetado para seres humanos. Mas a dupla difere dos humanos em um aspecto importante: eles têm rodas em vez de pernas. Em certos círculos, este é um tema delicado. Empresas de robótica, bem como aspirantes a empresas de robótica, como a Tesla, atraíram bilhões de dólares em investimentos para construir máquinas que andam como seres humanos, argumentando que isso as tornará particularmente úteis não apenas em fábricas e instalações de saúde, mas também nas salas de estar e cozinhas das pessoas. Mas pernas são complicadas, e algumas pessoas do setor afirmam que robôs com rodas são mais práticos e podem começar a realizar hoje trabalhos que os robôs caminhantes ainda estão a anos de conseguir executar. Andrea Thomaz, diretora-presidente e cofundadora da Diligent Robotics, afirma que as rodas são mais confiáveis, observando que muitos hospitais e centros para idosos já são projetados levando em conta a acessibilidade para cadeiras de rodas. —As rodas são mais seguras. Se um robô estiver se deslocando pelo corredor sobre rodas, ele pode parar sem precisar se equilibrar ativamente. E, se houver um problema de bateria ou de energia, um humanoide com pernas poderia cair sobre alguém — afirma Andrea. A divisão entre rodas e pernas ficou plenamente evidente na Consumer Electronics Show, realizada em Las Vegas em janeiro deste ano. Humanoides com pernas ocuparam posições de destaque em todo o espaço da tradicional feira de tecnologia, atraindo grande parte da atenção e das manchetes. Mas os robôs que realmente se movimentavam — pelo menos de forma confiável — eram quase todos equipados com rodas. Sistemas com pernas são muito mais complexos. Eles exigem motores adicionais, criam mais oportunidades para falhas mecânicas e frequentemente permanecem presos a cabos durante demonstrações. — Pernas são uma péssima ideia — afirma Bill Ray, analista sênior da Gartner, argumentando que elas acrescentam uma complexidade significativa de engenharia, especialmente em questões relacionadas ao equilíbrio e à articulação dos tornozelos. Robôs com pernas também consomem muito mais energia, porque manter o equilíbrio exige ajustes constantes. Ainda assim, os robôs bípedes oferecem vantagens que os sistemas sobre rodas têm dificuldade em igualar. As pernas podem facilitar a subida de escadas. Mover uma perna de cada vez, em teoria, permite que os robôs recuperem o equilíbrio com mais eficácia quando começam a perdê-lo. Outra vantagem aparente: os investidores parecem gostar de pernas. A 1X, fabricante do Neo, um robô humanoide projetado para atuar como assistente doméstico, já captou US$ 123,5 milhões. A Agility Robotics arrecadou um total de US$ 180 milhões em quatro rodadas de financiamento. Já a Figure AI, apesar de sua implantação limitada no mundo real, alcançou uma avaliação de mercado de US$ 39 bilhões. Em comparação, a Diligent Robotics levantou cerca de US$ 50 milhões. NEO (1X Technologies): Robô doméstico para limpeza, organização de objetos e tarefas cotidianas; preço estimado em US$ 20.000 ou assinatura. — Foto: Divulgação Bill Ray atribui essa disparidade, em parte, à tendência humana de antropomorfizar a tecnologia. Quando uma pessoa vê algo com aparência humana, diz ele, tende a atribuir a isso características e capacidades humanas: — Quando você vê um robô andando, seu cérebro diz: ‘Ah, ele consegue escalar, saltar e correr’, mesmo que ele não consiga fazer nenhuma dessas coisas. Nas instalações da Agility, em Salem, no estado americano do Oregon, o Digit — um robô de 1,75 metro de altura, com olhos de LED piscantes e pernas semelhantes às de uma avestruz — ergue recipientes de cerca de 23 quilos e os coloca em uma esteira transportadora próxima. Para alcançar prateleiras mais baixas, ele dobra as pernas nos joelhos e quadris. O Digit dá passos curtos e cuidadosos para manter estabilidade e previsibilidade consistentes, enquanto se move rápido o suficiente para carregar e descarregar caixas em um armazém. O Digit se parece menos com um ser humano do que alguns produtos concorrentes. Jonathan Hurst, cofundador e diretor de robótica da empresa, afirma que estudou cuidadosamente o movimento de uma ampla variedade de animais — humanos, aves, caranguejos-fantasma e cavalos — concentrando-se menos na anatomia ou na aparência e mais na física fundamental do movimento. — Ele foi feito para trabalhar e gerar valor real. Não é um companheiro, então sua aparência não importa muito. Mas é centrado no ser humano porque precisa interagir conosco. Aqui, só precisamos mover essas caixas; nada mais importa. Hurst argumenta que as pernas são fundamentais para a confiabilidade na execução dessas tarefas. — Você preferiria estar apoiado sobre seus próprios pés ou sobre um Segway?— questiona. Os ambientes humanos, acrescenta ele, são mais fáceis de percorrer quando se tem duas pernas, um tronco e braços. — Se você está tentando projetar um robô que evolua para uma utilidade de propósito geral, esse é o melhor caminho. Bernt Børnich, fundador e diretor-presidente da 1X, afirma que o investimento da empresa em pernas já começa a dar resultados. — Costumávamos ter um humanoide sobre rodas — diz ele, referindo-se a um modelo industrial anterior chamado Eve. Mas a empresa melhorou tanto o desempenho e a eficiência energética de seus sistemas com pernas que a decisão mais lógica passou a ser concentrar esforços na plataforma com maior potencial de longo prazo. — Não há motivo para não ter pernas. De modo geral, elas são melhores para tudo — afirma. A empresa planeja começar a entregar seus robôs Neo, avaliados em US$ 20 mil, para residências ainda este ano. Os dispositivos foram projetados para ajudar em tarefas domésticas, como dobrar roupas, ao mesmo tempo em que oferecem companhia com características humanas. A 1X espera fabricar 100 mil robôs por ano até o fim de 2027. Em seu laboratório de pesquisa e desenvolvimento em Glendale, na Califórnia, a The Walt Disney Company está desenvolvendo tanto máquinas sobre rodas quanto robôs com pernas para utilização em seus parques temáticos. Baseados em personagens conhecidos, os novos robôs da Disney vão além dos tradicionais animatrônicos. Entre eles estão personagens capazes de circular livremente, como os droides BDX, de Star Wars; o H.E.R.B.I.E., de Quarteto Fantastic'; e Olaf, o boneco de neve de Frozen, que se deslocam entre multidões e interagem individualmente com visitantes em tempo real. — Para nós, tudo começa com o personagem e a história — afirma Kyle Laughlin, vice-presidente sênior de tecnologia e engenharia de pesquisa e desenvolvimento da Walt Disney Imagineering, divisão responsável pelo design dos parques e cruzeiros. —Trabalhamos em estreita parceria com as equipes de cinema, televisão e jogos que criaram esses personagens, e o sistema de movimento precisa parecer autêntico à identidade de cada um deles. O robô do Olaf, de Frozen, desenvolvido pela Disney com tecnologia da Nvidia, tem rodinhas — Foto: Josh Edelson/Getty Images via AFP Embora Olaf tenha viralizado este ano após uma falha repentina, Laughlin diz que o H.E.R.B.I.E. está entre os robôs tecnicamente mais desafiadores da empresa, porque se movimenta sobre uma esfera de equilíbrio e realiza cálculos constantes para permanecer em pé. — Sabemos que os visitantes podem esbarrar neles ou acariciá-los em nossos navios de cruzeiro — afirma ele, enquanto o H.E.R.B.I.E. atravessa o piso do laboratório de pesquisa, não muito longe de um droide BDX que emite sons de canto e dança sobre suas duas pequenas pernas. —Continuamos trabalhando para garantir que eles sejam seguros, ao mesmo tempo em que avançamos na engenharia. Considerações práticas sobre aplicações específicas orientam as decisões de muitas empresas ao escolher entre rodas ou pernas. Mas a Disney busca algo diferente. — O objetivo não é escolher a ‘melhor’ tecnologia . É escolher a forma de locomoção que melhor preserve a personalidade, a emoção e a credibilidade do personagem quando os visitantes o encontram no mundo real — afirma Laughlin. Se esse é o destino, ao que parece, existe mais de um caminho para chegar lá.
Robô humanoide deve ter pernas? Ou andar sobre rodas? 'Questão existencial' aflige o setor
Sistemas bípedes são mais complexo, consomem mais energia e têm equilíbrio precário, mas têm outras vantagens, como subir escadas e serem mais carismáticos aos investidores








