Para o fundador e CEO da companhia, Luis Silva, as empresas do futuro serão 100% autônomas A CloudWalk, dona da maquininha de cartão Infite Pay, já processa mais de 60 bilhões de tokens por dia, operando atualmente uma das maiores infraestruturas dedicadas de computação para IA da América Latina. Para o fundador e CEO da companhia, Luis Silva, as empresas do futuro serão 100% autônomas e os humanos vão atuar basicamente como "coaches" (treinadores) de agentes de inteligência artificial. "O papel do humano vai ser mais de um direcionador do que deve ser feito do que de executar as tarefas em si. Os humanos vão trabalhar no lançamento de produto, desenvolvimento, estratégias de marketing, mas falar com agentes de IA para fazer tudo isso, obviamente que direcionando e revisando esse trabalho", comenta. A CloudWalk foi destaque em um relatório global sobre fintechs divulgado este mês pela consultoria BCG. O documento diz que a companhia brasileira está a vanguarda da inovação com IA. "O que diferencia a empresa não é a abrangência [da área de atuação], mas a tecnologia: a solução da CloudWalk funciona com seu próprio modelo proprietário de vanguarda para inteligência financeira, em vez de um LLM (tecnologia de IA sobre linguagem) de terceiros sobreposto a uma infraestrutura legada." No relatório da BCG, a CloudWalk aponta que 99% do atendimento ao cliente, quase 70% do desenvolvimento de códigos e mais de 50% das atividades de “go-to-market” já são executadas por agentes de IA. "Hoje o processamento de tokens virou uma métrica para avaliar a 'produção' de IA por uma empresa. Quanto mais tokens você consegue processar, mais você usa internamente ou mesmo vende para terceiros, e isso indica que a empresa é mais eficiente, está mais bem posicionada", aponta o executivo. Além do uso interno da IA, a CloudWalk tem vários agentes que são utilizados pelos clientes. A fintech diz que o "Jim" funciona como um funcionário extra para os empreendedores da sua base. Ele ajuda a ajustar preços, analisar contratos, gerencia vendas, executar transações financeiras, personalizar campanhas de marketing, criar sites, entre outras tarefas. Já a "Bela" é um agente para aquisição de clientes via WhatsApp; o "Pierre" é um assistente financeiro que opera via open finance; e o "Cláudio Walker" ajuda os empreendedores no atendimento ao cliente. A companhia tem um cluster próprio de GPU (unidade de processamento gráfico), que é o hardware fundamental para a IA. Ele fica perto de Washington, nos Estados Unidos, e a companhia pretende ampliá-lo, pois já usa mais de 90% da capacidade. Ao participar no mês passado de um evento do Bank of America para fintechs, em Nova York, Silva comentou que a IA não é uma funcionalidade adicionada à CloudWalk, ela é a forma como a empresa opera. "Hoje processamos mais tokens de IA em um único dia do que muitas empresas focadas exclusivamente em IA processam em um mês", disse Silva. Ele contou que o brasileiro se adapta muito bem à interação conversacional com agentes de IA. "Tem gente que diz para o agente: 'Deus abençoe você e sua família'." A CloudWalk atingiu em março US$ 1,7 bilhão em receita líquida anualizada, um crescimento de mais de 100% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com mais de 7 milhões de usuários ativos, o lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu quase US$ 500 milhões. A fintech se expandiu para os EUA em março do ano passado e opera via bancos parceiros, mas Silva diz que a tendência natural é pedir uma licença própria no futuro. "A operação por lá tem crescido muito, ela se mostra tão boa ou até melhor que a operação brasileira, comparando os mesmo estágios de evolução. Já deixou de ser apenas uma aposta e virou um linha de receita mesmo para o grupo". Silva sempre disse que a CloudWalk é uma empresa de tecnologia, e não simplesmente uma companhia de "maquininha de cartão". Ainda assim, ele aponta que a tendência no setor de IA é cada vez mais os clientes pagarem pelo serviço realizado, e não tanto uma assinatura mensal pelo serviço. "Nesse sentido, nós já operamos assim, pela própria natureza do nosso negócio. Temos muitos clientes que nem têm a maquininha do cartão. Eles pagam uma taxa por transação.” O CEO da Cloudwalk, Luis Silva — Foto: Silvia Zamboni/Valor
Humanos vão atuar como 'coaches' de agentes de IA, diz Cloudwalk
Para o fundador e CEO da companhia, Luis Silva, as empresas do futuro serão 100% autônomas











