As chuvas foram severas e deixaram um rastro de destruição em Caculé, município de 23 mil moradores no sudoeste da Bahia, que declarou situação de emergência em março.

Três meses depois, a cidade se prepara para uma grande festa de São João com show da dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano. O cachê será de R$ 905 mil, equivalente a um quarto de todo o orçamento anual para Cultura da prefeitura. Os recursos vieram de uma emenda parlamentar.

A situação se repete em outras cidades do Nordeste. Impulsionados por uma corrida entre prefeituras por atrações de renome nacional, os cachês dos festejos de São João atingiram patamares inéditos e passaram a consumir fatias cada vez maiores dos orçamentos municipais.

Os cachês começaram a crescer de maneira vertiginosa a partir de 2022, com o retorno dos festejos após a pandemia da Covid-19.

Além da demanda represada por festas, municípios tiveram os cofres turbinados por emendas parlamentares. O resultado foi uma enxurrada de contratos com artistas e bandas firmados por prefeitos em busca de público, relevância política e visibilidade.