Com cerca de seis milhões de habitantes em sua região metropolitana, Filadélfia é a sexta maior cidade dos Estados Unidos. Palco do segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2026, nesta sexta-feira (19/6), contra o Haiti, ela é uma verdadeira metrópole, com intensa atividade econômica, vida cultural riquíssima e aquele ar cosmopolita que faz viajantes de todos os lugares do mundo se sentirem um pouco em casa. Mas basta se afastar um pouquinho de lá para toda essa agitação urbana se dissipar numa sequência de cidadezinhas charmosa, com ar de interior e atrações que fazem do country side da Pensilvânia um dos destinos que valem a escapada. A distâncias relativamente curtas de destinos como Nova York e Washington DC, a Pensilvânia oferece um bom cardápio de atrações que se complementam aos grandes centros urbanos. Há opções para quem procura turismo rural, boa gastronomia, passeios em família e, claro, História, já que muitos lugares foram palcos de acontecimentos ligados à independência dos Estados Unidos, que completa 250 anos no próximo mês. Flores e cogumelos em Kenneth Square Quem sai do Centro da Filadélfia, por exemplo, não demora nem uma hora para se ver caminhando por alamedas de cercas vivas que conduzem a conjuntos de fontes e canteiros de flores que poderiam estar num jardim europeu. Foi justamente no Velho Mundo que o magnata industrial Pierre du Pont encontrou inspiração para o Longwood Gardens, um dos maiores jardins públicos dos Estados Unidos, localizado na cidade de Kennett Square. Apaixonado por paisagismo e natureza, Du Pont — que foi, entre outras coisas, presidente da General Motors e um dos financiadores da construção do Empire State, em Nova York — comprou uma vasta porção de terra em 1906, e lá não apenas construiu sua casa de campo, mas começou a planejar, canteiro por canteiro, o grande conjunto de jardins que hoje é visitado por cerca de um milhão de pessoas todos os anos. Flores numa das estufas do parque Longwood Gardens, o maior jardim público dos Estados Unidos, em Kenneth Square, na Pensilvânia — Foto: Eduardo Maia/O Globo Com ingresso a US$ 31, Longwood Gardens é um programa para dia inteiro. É preciso tempo para explorar seus cerca de 450 hectares, com mais de 20 jardins e dez mil espécies diferentes, das mais variadas partes do mundo. Um deles, numa pequena estufa, foi projetado por Roberto Burle Marx para preservar espécies tropicais. Os destaques são as três estufas principais, a coleção de bonsais, o jardim central com cem mil flores, e o Main Fountain Garden, com mais de mil jatos de água que podem chegar a 50 metros de altura. Para comer, há áreas para refeições rápidas e também um restaurante de chef, o 1906, recentemente renovado, cujo cardápio varia de acordo com a estação e usa ingredientes produzidos no próprio local. Visitantes compram cogumelos numa das barraquinhas do Mushroom Festival, evento anual que acontece no centro de Kenneth Square, na Pensilvânia — Foto: Divulgação/Chester County's Brandywine Valley Longwood fica nos arredores de Kenneth Square, uma dessas cidadezinhas americanas que parecem cenário de comédia romântica de Natal. O movimento principal se concentra na State Street, a rua principal que seria facilmente percorrida em poucos minutos, se não fossem os muitos bares, restaurantes, cafés e lojas que exercem uma estranha atração nos visitantes. Como não parar para provar as tortas de maçã da Nomadic Pies, os sanduíches e saladas do Talula’s Tables, ou os sorvetes ao estilo mexicano da La Michoacana? Kenneth Square também é conhecida como a “capital do cogumelo”, por ser o centro da região que mais produz fungos comestíveis no país. Essa faceta é celebrada todos os anos, durante o feriado do Labor Day (começo de setembro) no Mushroom Festival, que cobre a State Street de barraquinhas. Labirinto e lojas charmosas no condado de Bucks Teto coberto por azulejos em um dos 44 cômodos do Fonthill Castle, em Doylestown, na Pensilvânia — Foto: Eduardo Maia/O Globo Em outra parte do estado, o condado de Bucks é uma opção de parada para quem viaja entre Nova York e Filadélfia de carro. Tanto por estar quase no meio do caminho (a 100km de distância da primeira e a 60km da segunda), quanto pelas atrações existentes por ali. Uma delas é o Fonthill Castle, em Doylestown, um inusitado palacete inspirado em castelos góticos e medievais da Europa, construído pelo empresário local Henry Chapman Mercer. Seu interior faz o visitante se sentir num labirinto, com lances de escadas e corredores conectando 44 cômodos. Todos forrados, das paredes ao teto, por incontáveis peças de cerâmica de diversos tipos, tamanhos e cores — Mercer usava a casa, onde ele viveu, como mostruário de sua fábrica de cerâmicas. Relógio na Main Street, rua cheia de bares, restaurantes e lojas no centro de New Hope, na Pensilvânia — Foto: Eduardo Maia/O Globo Outro ponto de interesse na região é o Peddler’s Village, um centro comercial que lembra um bucólico vilarejo, com 64 lojas independentes que vendem de tudo. Algumas delas são bem específicas, como a especializada em pasta de amendoim e a que só vende quebra-cabeças. Abriga também bons restaurantes, bares e um bom hotel, o The Golden Plough Inn. A vila se divide entre as cidades de Lahaska e New Hope. Esta segunda, às margens do Rio Delaware, é uma boa base para se hospedar e aproveitar com calma o centrinho, com seus canais históricos e uma boa dose de agitação nos bares e restaurantes da Main Street (que outro nome teria?). Eduardo Maia viajou a convite de Brand USA e Pennsylvania Tourism Office.