Cidade é considerada o berço da independência americana, que completa 250 anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Palco de Brasil x Haiti, Filadélfia celebra os 250 anos da independência ao mesmo tempo que recebe a Copa do Mundo — Foto: Rafael Oliveira RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 10:10 Filadélfia enfrenta polêmica histórica ao preparar cápsula do tempo A Filadélfia, conhecida como berço da independência dos EUA, enfrenta polêmica sobre seu passado escravocrata enquanto prepara uma cápsula do tempo que será aberta em 250 anos. O memorial President’s House, que expõe a escravidão nos primeiros anos da república, viu painéis removidos pela administração Trump, gerando disputa judicial sobre o controle da narrativa histórica. A cápsula do tempo incluirá itens variados, como um iPhone 17 Pro Max. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O que não falta são opções para os torcedores enquanto não chega a hora de Brasil x Haiti. A Filadélfia, na Pensilvânia, é destino para turistas interessados em gastronomia, cultura e, principalmente, história. É considerada o berço dos Estados Unidos. Foi no Independence Hall, um edifício centenário localizado na área conhecida como Old City, que a declaração de independência foi aprovada, em 4 de julho de 1776, e a constituição, criada em 1787. E, em meio às comemorações dos 250 anos da fundação do país e com uma Copa do Mundo em andamento, a cidade reflete um país dividido entre o passado e o futuro. Alguns papéis escritos à mão e cópias de uma reportagem publicada num jornal local chamam a atenção de quem caminha entre as ruínas da President’s House, onde viveram os dois primeiros líderes americanos — George Washington e, depois, John Adams. “Por que estão faltando algumas partes desta exposição?”, questionam os cartazes, colados nas paredes. Papéis espalhados pela President's House cobram a devolução de painéis retirados pelo governo Trump — Foto: Rafael Oliveira O espaço virou um memorial no qual, desde 2010, instalações revelam o lado escravocrata do começo da república. Só que alguns dos painéis foram retirados pela administração Donald Trump e são alvo de uma disputa jurídica. A remoção ocorreu em janeiro, quando todos os 34 painéis sumiram. A ação foi organizada pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos por considerar estes materiais “depreciativos” para a história americana. No mês seguinte, uma ordem judicial determinou a reposição após ações impetradas pela cidade da Filadélfia e pelo governo da Pensilvânia. No entanto, a administração Trump não recolocou todos os 34 quadros e seguiu entrando com recursos. Nesta quinta, uma decisão do Tribunal de Apelações do Terceiro Circuito determinou que a cidade não possui “direitos estatutários, de propriedade ou contratuais que a autorizem a organizar as exposições na President’s House”. Uma sentença que abre caminho para o governo Trump poder substituir o material atual. Exposição na Filadélfia sobre escravizados pelos heróis da independência está ameaçada pelo governo Trump — Foto: Rafael Oliveira As obras contam como George Washington levou consigo, ao se mudar do Estado da Virgínia para a Filadélfia, em 1790, nove escravizados para cuidar dos afazeres domésticos: Hercules e seu filho Richmond, Oney Judge e seu irmão Austin, Moll, Christopher, Giles, Paris e Joe. O material de pesquisa revela como o herói da independência americana temia que seus serviçais fossem tomados por ideias de liberdade e eram tratados como propriedade da família. A escravidão foi abolida oficialmente nos EUA em 1865. Mas, desde 1780, a Lei de Abolição Gradual dava aos escravizados levados para a Pensilvânia o direito de buscar sua liberdade depois de seis meses residindo no Estado. A exposição revela como Washington mandou seus serviçais de volta para a propriedade na Virgínia para escapar deste dispositivo jurídico. O temor das entidades que defendem a exposição é de que os novos painéis amenizem a história contada. A Coalizão Vingando os Ancestrais, que liderou o movimento para desenvolver o projeto original, fala em “tentativa de higienizar a história e apresentar uma versão do passado mais confortável, porém muito menos verdadeira”. Na Filadélfia, o local onde será enterrada a cápsula do tempo, parte das comemorações dos 250 anos da independência americana — Foto: Rafael Oliveira Ironicamente, a apenas poucos metros do memorial, o mesmo país que tem dificuldade de encarar seu passado tenta olhar para o futuro. Também no Parque Histórico Nacional da Independência, um buraco cercado por grades chama a atenção de quem passa por ali. Ele receberá uma cápsula do tempo. Feito em aço inoxidável e em formato cilíndrico (pois bordas quadradas tendem a rachar e quebrar), o objeto que pesa 408 kg já foi lacrado e será enterrado a três metros de profundidade no próximo dia 4 de julho. Protegido de variações de temperatura e com uma engenharia que impede a entrada da água, o cilindro será retirado apenas daqui a 250 anos (no aniversário dos 500 anos da independência). Dentro dele, foram armazenadas contribuições dos três poderes federais, dos 50 estados, do Distrito Federal e de outros territórios americanos. Entre os objetos, há muitas cartas, postais, poemas e outros documentos. Há também contribuições inusitadas, como a resposta a uma pergunta feita a uma IA, um diamante, um osso de uma espécie de baleia ameaçada de extinção, uma gravata e um iphone 17 Pro Max.