"Preciso um avião para as kengas." Foi a mensagem de Daniel Vorcaro a seu assistente em conversa de abril de 2024, data próxima a uma viagem feita por Vorcaro a Nova York com Ciro Nogueira (PP-PI), para quem ele pagou uma suíte com custo total de cerca de US$ 47,8 mil. O problema das quengas de Vorcaro —além da possibilidade de exploração de mulheres, como bem alertou Djamila Ribeiro— se agrava quando o público se torna a quenga das relações obscenas de Vorcaro com a elite política do país.Daniel Vorcaro é a síntese do patrimonialismo brasileiro, isto é, da relação pornográfica entre o público e o privado, por meio da qual a distinção entre as duas esferas deixa de existir. Os exemplos patrimonialistas de Vorcaro —apenas da última semana— são diversos. No último deles, investigadores revelaram que o pai do ex-banqueiro repassava mensalmente R$ 400 mil a um agente aposentado da Polícia Federal para obter informações de investigações sigilosas.O Estado se torna um instrumento não para promover o bem público, mas apenas para satisfazer os prazeres privados e familiares do andar de cima.
Patrimonialismo, nos lembra Lilia Schwarcz no livro "O Autoritarismo Brasileiro", é "o entendimento, equivocado, de que o Estado é bem pessoal, ‘patrimônio’ de quem detém o poder". A relação obscena com o Estado como propriedade é o que rege desde a corrupção do Banco Master com dinheiro de aposentados até a pauta-bomba de benefícios do agro no Congresso, passando por penduricalhos judiciais.













