Em documento da PF, em uma mensagem de áudio, Vorcaro pede privacidade a seus "convidados": "Pode ser o Papa, que não pode entrar, ninguém que não esteja na lista", disse Vorcaro, referindo-se à necessidade de bloquear o acesso de qualquer pessoa não autorizada. Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Essa e outras informações constam em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master. O material reúne conversas, áudios e documentos que, de acordo com a PF, indicam que Vorcaro custeava despesas e mantinha relação próxima com parlamentares influentes. LEIA TAMBÉM: Atualmente preso em Brasília, o ex-banqueiro já teve duas propostas de colaboração premiada rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em uma troca de mensagens em 18 de junho de 2024, Vorcaro pediu ao auxiliar Leo Serrano que organizasse reservas de hospedagem em Lisboa para ele, "Ciro e Hugo". Após a confirmação das reservas, Vorcaro enviou um áudio demonstrando preocupação com a privacidade de um encontro que ocorreria durante a viagem. Segundo a gravação, ele determinou que a área em frente ao restaurante fosse fechada para impedir que pessoas vissem o encontro e que houvesse controle de acesso já no saguão dos elevadores. Vorcaro com Ciro Nogueira — Foto: Reprodução No mesmo áudio, o ex-banqueiro justificou as medidas ao citar um episódio anterior ocorrido em Nova York. Segundo ele, era necessário impedir que pessoas chegassem ao local do encontro alegando ter outro destino dentro do prédio. "A gente não pode deixar acontecer igual aconteceu em Nova York, que venham pessoas, falam que vão pegar um elevador para outro andar e ficam lá no nosso andar. Tem que ficar alguém dentro do elevador, de repente, para evitar isso", afirmou. A PF também encontrou nos e-mails de Vorcaro uma fatura relacionada à viagem a Lisboa. Para os investigadores, o documento coincide com as mensagens trocadas pelo ex-banqueiro e reforça a conclusão de que ele pagou a hospedagem dos parlamentares. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, admitiu ter viajado em avião de Vorcaro. — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados O valor identificado foi de 3.155,71 euros — cerca de R$ 18,2 mil na cotação da época —, referente às diárias no hotel. A relação de Vorcaro com Ciro Nogueira é descrita pela PF como "funcional e instrumental". Em contrapartida, Nogueira teria apresentado a chamada "Emenda Master" — a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 —, cujo texto foi elaborado pela própria assessoria do banco para beneficiar o fundo garantidor da instituição. Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o episódio até a divulgação dos documentos analisados pela PF.