"Persépolis" foi obra mais conhecida de Marjane Satrapi, artista franco-iraniana morta em 4 de junho, aos 56 anos. Publicada originalmente na França entre 2000 e 2003, apresentou milhões de pessoas à realidade cotidiana de seu país, por meio dos olhos de Marji, uma criança iraniana que, assim como Satrapi, viveu a Revolução Iraniana e a guerra Irã-Iraque.
Além da sua imensa importância no meio das histórias em quadrinhos, foi também cineasta e ativista, comprometida com a luta pela liberdade e pelos direitos das mulheres de seu país e do mundo.
Com "Persépolis", Satrapi se tornou uma expoente do gênero. Combinando política e autobiografia, a autora buscou fazer com que leitores ocidentais despertassem para a humanidade do povo iraniano, como definiu ao jornal britânico The Guardian, há dois anos.
A beleza sintética de seu desenho mostrou ao mundo não apenas a força e alcance de uma HQ, mas também a importância do desenho como ferramenta de comunicação e conexão, transformando "uma infância iraniana em uma fábula universal" —como disse o presidente francês Emannuel Macron, numa nota de pesar.
Em 2007, a obra virou uma animação dirigida pela própria autora, ao lado do também quadrinista e diretor de cinema Vincent Paronnaud, conhecido como Winshlus. O filme venceu o prêmio do júri no Festival de Cannes naquele ano e foi indicado ao Oscar de melhor animação em 2008.






