Nova pesquisa identificou áreas ao redor do mundo onde correntes mais frias e outras condições favoráveis estão ajudando a proteger os corais dos piores efeitos do aquecimento global 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Corais — Foto: Pexels RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 18:22 Mapeamento com IA revela refúgios de corais resistentes ao aquecimento global Cientistas, utilizando inteligência artificial, mapearam áreas onde corais resistem ao aquecimento dos oceanos, identificando regiões protegidas por correntes frias e menos exposição solar. O estudo, apresentado na Our Ocean Conference, destaca 15 mil km² de oceanos resilientes em 72 países. Embora ofereçam esperança, esses refúgios enfrentam ameaças como sobrepesca e poluição, necessitando de debate sobre prioridades de conservação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto o aumento da temperatura dos oceanos devasta recifes em todo o mundo, um grupo de cientistas encontrou um motivo para um otimismo cauteloso. Eles usaram inteligência artificial para detectar áreas protegidas onde correntes frias, menor exposição à luz solar e locais fora da rota dos ciclones aumentam as chances de sobrevivência dos corais. O estudo, liderado pela Wildlife Conservation Society e apresentado na terça-feira na Our Ocean Conference em Mombasa, Quênia, está atualmente em processo de revisão por pares para publicação na revista Environmental Research Letters. Cinco cientistas identificaram 42 fatores que criam as condições para os refúgios de corais e, em seguida, analisaram esses fatores em um programa com quase 38.000 observações humanas da cobertura e composição dos corais, coletadas ao longo de 65 anos. O programa identificou mais de 15 mil km² de oceano resiliente às mudanças climáticas em 72 países. O estudo identificou três vezes mais refúgios do que uma avaliação histórica de 2018, conhecida como Estudo dos 50 Recifes, o primeiro documento a identificar sistematicamente áreas ao redor do mundo onde os corais ainda poderiam ser salvos. Cientistas e ambientalistas afirmaram que a nova avaliação oferece um panorama mais detalhado do estado dos recifes de coral do mundo e pode ajudar a refinar as prioridades de conservação. — Este estudo aprimora décadas de trabalho sobre a resiliência dos recifes às mudanças climáticas — disse David Obura, presidente do IPBES, o painel científico intergovernamental global sobre biodiversidade, que não participou da nova pesquisa. — Ele concentra a atenção na questão crucial: os refúgios climáticos representarão 10%, 1% ou até menos da extensão anterior dos recifes de coral? Os recifes de coral são ecossistemas cruciais. Estima-se que eles nutram um quarto das espécies oceânicas em algum momento de seus ciclos de vida, sustentando peixes que fornecem proteína para milhões de pessoas e protegendo o litoral de tempestades. Eles também são vulneráveis ao branqueamento, que ocorre quando o calor faz com que os corais percam as algas necessárias para sua sobrevivência. Os corais branqueados podem se recuperar, mas se a água em que vivem permanecer muito quente por muito tempo, eles morrem. — Cada décimo de grau de aquecimento leva os recifes ao limite — disse Obura. Segundo pesquisadores australianos que estudam o calor dos oceanos, o desaparecimento da Grande Barreira de Corais pode ocorrer em uma geração, a menos que a Humanidade aja com muito mais urgência para conter as mudanças climáticas. Um estudo publicado em 2025 constatou que praticamente todos os corais do Oceano Atlântico deixarão de crescer e poderão sucumbir à erosão até o final do século, caso as temperaturas globais continuem a subir. Os refúgios recém-identificados não estão distribuídos uniformemente pelo mundo. Mais da metade está em cinco países: Bahamas, Cuba, Austrália, Indonésia e Filipinas. Outros se concentram em pequenas ilhas em locais como Vanuatu, Samoa Americana, Ilha Christmas e o Arquipélago de Chagos. Esses refúgios podem proteger os corais dos efeitos do aquecimento global, mas sua concentração os torna vulneráveis a outras ameaças, como a sobrepesca e a poluição. Embora a maioria esteja localizada em zonas nominalmente protegidas, a falta de financiamento faz com que muitas dessas áreas sejam apenas "parques de papel", sem proteção prática. Espera-se que a pesquisa alimente um debate central sobre conservação: quanto financiamento deve ser destinado à proteção de refúgios, alguns dos quais podem eventualmente falhar à medida que os oceanos aquecem ainda mais; quanto deve ser investido em trabalhos de restauração; e quanto deve ser investido na redução das emissões de gases de efeito estufa e da poluição? Apesar dos alertas de cientistas e das promessas de líderes mundiais, os países estão queimando mais combustíveis fósseis do que nunca e as emissões de gases de efeito estufa continuam a aumentar. Tradicionalmente, a pesquisa sobre recifes tem se concentrado em áreas que escaparam do pior superaquecimento. Esses recifes geralmente são dominados por grandes corais ramificados, como o Acropora, um gênero extenso que engloba espécies como o coral-chifre-de-veado e o coral-lança-chamas; ou por corais em forma de placa, como o Montipora, cujas delicadas espirais se estendem a partir de um caule central. Globalmente, suas populações estão diminuindo drasticamente. Mas a nova pesquisa ampliou o foco para corais que também podem resistir e se recuperar: as torres em forma de capacete da Porites lutea ou as cristas e protuberâncias luminosas da Echinopora. Comunidades de corais dominadas por variedades invasoras de crescimento rápido, como a Pocillopora verde-limão e rosa-flamingo, também costumam ser mais resilientes. Eles precisarão estar. As condições subsuperficiais em todo o Pacífico tropical já estão significativamente mais quentes do que a média, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial. E um padrão climático El Niño que se formou recentemente no Pacífico pode exacerbar essas condições de calor. "Não se trata de dizer que os mapas sejam perfeitos, mas são melhores do que começar do zero", disse Joseph Maina, professor associado da Universidade Macquarie em Sydney, Austrália, que ajudou a coordenar a análise dos dados. "Os governos não devem usar os mapas cegamente, mas sim consultar seus próprios especialistas antes de começar."
Cientistas usam inteligência artificial para mapear áreas onde corais resistem ao aquecimento dos oceanos
Nova pesquisa identificou áreas ao redor do mundo onde correntes mais frias e outras condições favoráveis estão ajudando a proteger os corais dos piores efeitos do aquecimento global












