EUA e aliados preparam operação com helicópteros, embarcações não tripuladas e veículos submarinos para garantir a segurança de navegação na principal rota de transporte de petróleo do mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Embarcação da Guarda Revolucionária Islâmica supostamente participa de operação para apreender navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, em 21 de abril de 2026 — Foto: Meysam Mirzadeh /Tasnim News / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 18:01 EUA e Aliados Usam Alta Tecnologia para Remover Minas no Estreito de Ormuz EUA e aliados planejam operação com drones, helicópteros e veículos submarinos para remover minas no Estreito de Ormuz, após acordo com o Irã para reabrir a rota de petróleo. Apesar da expectativa de retomada do fluxo, especialistas alertam que a remoção de minas pode demorar semanas. Tecnologias avançadas serão usadas para localizar e neutralizar explosivos, garantindo a segurança da navegação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O acordo para reabrir o Estreito de Ormuz aumentou as expectativas de que "o petróleo voltará a fluir pelos dois lados", como afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo, aliviando rapidamente o temor de uma crise energética. No entanto, a situação pode não ser tão simples. Para retomar plenamente o tráfego em uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, uma das principais dúvidas é se o Irã instalou minas navais e, em caso afirmativo, com que rapidez elas poderão ser localizadas e neutralizadas. Drones, helicópteros e veículos submarinos não tripulados devem ser utilizados por Washington e seus aliados nas operações de busca e remoção dos explosivos, etapa considerada fundamental por especialistas para garantir a segurança da navegação. Embora dezenas de navios tenham atravessado o estreito durante o conflito sem registrar incidentes, ainda não está claro se os iranianos posicionaram minas na região. Em março, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou ter atacado 16 embarcações iranianas capazes de realizar esse tipo de operação. Na segunda-feira, Trump afirmou que o estreito já estava "parcialmente aberto" e que equipes realizavam buscas por "algumas minas". O republicano também disse esperar que a passagem esteja totalmente aberta até sexta-feira e indicou que pretende solicitar ajuda de países europeus para as operações de varredura. O Reino Unido informou recentemente que poderá mobilizar drones especializados em detecção de minas como parte de uma missão multinacional na região. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a França está preparada para enviar embarcações de remoção de minas poucos dias após a confirmação formal do acordo de paz. Tecnologia no centro da operação Embora minas navais sejam utilizadas há séculos com efeitos devastadores, os EUA apostam cada vez mais em drones para detectar e neutralizar esses explosivos sem expor embarcações tripuladas aos riscos de um campo minado. Antes da guerra, agências de inteligência americanas estimavam que o Irã possuía cerca de 5 mil minas de diferentes tipos, desde modelos relativamente simples, que flutuam logo abaixo da superfície, até armas sofisticadas instaladas no fundo do mar e equipadas com sensores capazes de identificar embarcações. Arsenal iraniano inclui minas navais projetadas para flutuar na água ou permanecer ancoradas no fundo raso do Golfo Pérsico — Foto: Arte / O Globo Para localizar possíveis minas escondidas no Estreito de Ormuz, a Marinha dos EUA deverá realizar buscas aéreas e marítimas, tanto na superfície quanto em grandes profundidades. Nos últimos anos, os americanos incorporaram diversos veículos não tripulados às operações navais. Entre eles estão o Common Unmanned Surface Vehicle, capaz de realizar varreduras em busca de minas, e o Knifefish, um drone submarino desenvolvido para mergulhar e examinar objetos suspeitos por meio de sonar. A Marinha também utiliza veículos autônomos semelhantes a torpedos, que percorrem áreas previamente programadas enquanto mapeiam o fundo do mar com sensores acústicos. Os dados recolhidos são então processados por computadores para identificar objetos que possam representar ameaças. O desafio das minas modernas Segundo Scott Savitz, engenheiro sênior da RAND Corporation e ex-integrante do comando de guerra de minas da Marinha americana, as minas atuais são muito mais difíceis de localizar e neutralizar do que os modelos utilizados em conflitos do passado. Tipos de minas — Foto: Editoria de Arte O Globo Algumas conseguem detectar o som dos equipamentos de varredura e afundam para evitar que os cabos usados nas operações de remoção cortem suas amarras ao fundo do mar. Outras possuem sistemas que contam o número de embarcações que passam nas proximidades e só explodem após determinado tráfego, o que pode causar danos significativos a comboios marítimos. — É tão trabalhoso quanto parece, porque, quando as minas estão no fundo do mar, é preciso diferenciá-las de formações rochosas, detritos acumulados em rotas marítimas movimentadas e objetos descartados ao longo de décadas ou séculos — explica Savitz. Quando um objeto suspeito é encontrado, equipes especializadas podem utilizar veículos operados remotamente, equipados com câmeras e braços mecânicos capazes de instalar cargas explosivas para destruir o artefato à distância. Nos casos mais delicados, mergulhadores especializados em desativação de explosivos precisam atuar diretamente. Utilizando equipamentos projetados para reduzir ruídos, bolhas e até sua assinatura magnética, eles descem até o alvo para neutralizá-lo ou destruí-lo. Modelos de minas — Foto: Editoria de Arte O Globo As missões mais perigosas envolvem as chamadas minas de influência, posicionadas no fundo do mar e acionadas por sensores magnéticos, sísmicos, de pressão e acústicos. Nesses casos, os mergulhadores militares americanos são treinados para atuar sozinhos, sem cabos ou boias de segurança, para reduzir o risco de múltiplas vítimas em caso de explosão. Tropas seguem em alerta Apesar do acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, autoridades americanas afirmam que ainda é cedo para determinar qual será o futuro dos mais de 50 mil militares mobilizados para a missão relacionada ao Irã. A expectativa é que a maior parte dessas forças, além de dois porta-aviões e dezenas de aeronaves de combate posicionados no Oriente Médio, permaneça em prontidão por pelo menos mais alguns dias, enquanto o governo avalia se o acordo será efetivamente cumprido. Caso a trégua se mantenha, o Pentágono poderá iniciar a retirada gradual de milhares de militares da região. Se os combates forem retomados ou surgirem dúvidas sobre a estabilidade do entendimento, porém, as forças americanas deverão permanecer mobilizadas por mais tempo. — Vamos garantir que a opção militar continue disponível. Esse poder militar permanecerá pelo tempo que for necessário — afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.