O cineasta americano Cyrus Nowrasteh fez o comentário ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em um encontro da direita americana em Las Vegas, onde o filme foi exibido pela primeira vez Diretor do filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, o cineasta americano Cyrus Nowrasteh disse esperar que o filme ajude a eleger o senador Flávio Bolsonaro presidente do Brasil. A declaração foi feita ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em um encontro da direita americana em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde o filme foi exibido pela primeira vez. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil. Que os brasileiros o apoiem. Que reconheçam nele a própria história recente. E que isso ajude a levar Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, afirmou Nowrasteh. A participação de Eduardo e da equipe do filme — com a fala do diretor — ocorreu na segunda-feira (15). Na sexta (12), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, considerou extinto o processo que questionava o uso de “Dark Horse” como instrumento de propaganda eleitoral antecipada, em benefício de Flávio, e pedia para que o filme não fosse exibido antes das eleições de outubro. Durante o painel em Las Vegas, Eduardo mencionou a ação movida pelo PT e classificou como uma tentativa de “censura”. “O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse. As informações do encontro, batizado de Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate à Fraude, em tradução livre), foram publicadas primeiramente pelo jornal O Globo. Houve a exibição do filme e, depois, um debate mediado pelo influenciador conservador Juan O’Savin, com a presença também do responsável pelas relações públicas de Nowrasteh, Dennis Rice; do filho de Nowrasteh, que também atuou na produção do filme, Mark Nowrasteh; e da ex-funcionária eleitoral do Colorado Tina Peters, condenada por permitir acesso não autorizado a equipamentos de votação após questionar o resultado das eleições presidenciais americanas de 2020. Rejeição em Hollywood No evento, Dennis Rice afirmou que "Dark Horse" ainda enfrenta dificuldades para chegar aos cinemas. Segundo ele, empresas distribuidoras de Hollywood têm demonstrado resistência em assumir a divulgação do filme. “Quando mostramos este filme para um grupo de distribuidores em Hollywood, praticamente todos disseram ‘não queremos ter nada a ver com este filme’. Foi exatamente a mesma reação que recebemos com [o filme] ‘Som da Liberdade’ até encontrarmos a Angel Studios para distribuí-lo [nos cinemas]”, afirmou. “Quando finalmente encontrarmos uma distribuidora corajosa o suficiente para representar este filme e definirmos uma data de lançamento, vamos precisar da ajuda do público para divulgá-lo”, continuou Rice. O diretor Cyrus Nowrasteh, da cinebiografia de Jair Bolsonaro, "Dark Horse" — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons Silêncio sobre investigação Ainda durante o painel, nem Eduardo nem os demais participantes mencionaram as investigações em torno de "Dark Horse". O filme virou alvo da Polícia Federal (PF) por envolver financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Conversas reveladas pelo Intercept Brasil mostraram Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro. Teriam sido negociados R$ 134 milhões, e transferidos R$ 61 milhões até o momento em que o ex-banqueiro foi preso. Além da PF, há atualmente uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo envolvendo a dona da produtora de "Dark Horse". A investigação envolve um contrato com a prefeitura da capital paulista para a instalação de pontos de WiFi e há suspeita de que recursos públicos tenhas abastecido o filme. A produtora e a prefeitura negam e afirmam não existir irregularidades no contrato. No âmbito desse procedimento, a empresa informou à Justiça que o custo total de "Dark Horse" foi de R$ 75 milhões, sendo R$ 55 milhões gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. Segundo laudo apresentado pela defesa da produtora, obtido pelo jornal O Globo, os recursos utilizados tiveram origem privada. No fim de maio, a Polícia Federal (PF) também encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer favorável à abertura de investigação contra Flávio em razão do episódio envolvendo o pedido de recursos a Vorcaro para financiar o filme. No dia 10, além disso, o PT pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apure o financiamento de "Dark Horse" e avalie se os valores envolvidos podem configurar abuso de poder econômico em benefício de Flávio.