Em esclarecimento ao STF, advogados afirmam que equipamento estava inoperante por receio com quadro psiquiátrico do ex-presidente Ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar, em 2025 — Foto: Adriano Machado/Reuters A defesa de Jair Bolsonaro admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente tinha uma arma em casa e com o registro em dia. Os advogados disseram, no entanto, que o equipamento estava inoperante e deixou a residência para reparos. O armamento foi apreendido na segunda-feira (15), durante uma blitz da Polícia Militar. Ele estava com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho. Segundo o relato enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a arma está registrada e deixou a casa de Bolsonaro para reparos após seguranças tornarem o equipamento inoperante. De acordo com os advogados, auxiliares do ex-presidente retiram o percussor da arma (parte necessária para o disparo) para que ela não funcionasse. Eles temiam que houvesse riscos à integridade de Bolsonaro em razão do quadro psiquiátrico do ex-presidente. Leia mais: “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, diz trecho da peça. A defesa relembra a tentativa de violação da tornozeleira, ocorrida em novembro do ano passado, justificada como consequência de um quadro de "confusão mental" do ex-presidente. Bolsonaro teria constatado que a arma não funcionava, mas não conseguiu identificar o motivo. Por isso, teria pedido que o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que foi pego com o equipamento na blitz, verificasse o armamento. “Sem conseguir identificar a causa do problema, contudo, o peticionário [Bolsonaro] entregou a arma ao Sr. Estácio Leite da Silva Filho, segundo-sargento do Exército e com experiência em armamentos, inclusive naquele modelo, para que verificasse o ocorrido. A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção”, diz a defesa. Entenda Na terça (16), Moraes deu 24 horas para a defesa de Bolsonaro explicar o episódio. A medida ocorre às vésperas do encerramento da prisão domiciliar temporária do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. “Determino que a defesa se manifeste sobre o referido boletim de ocorrência, esclarecendo inclusive a razão pela qual o condenado mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente e porque, às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedido à título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento”, diz o despacho do ministro. A ordem foi dada por Moraes depois que um policial civil do Distrito Federal informou ao ministro que, na noite de segunda-feira, apreendeu uma pistola de calibre 9 milímetros durante uma blitz. Segundo o relato, ao abordar o agente para que ele realizasse o bafômetro, o policial notou a presença de uma arma de fogo embaixo do assoalho do carro. Ao verificar o registro do armamento, viu que a pistola estava registrada no nome do ex-presidente e que o carro utilizado era um veículo oficial da Presidência da República. O agente, então, afirmou ao policial que trabalhava com Bolsonaro e foi encaminhado para a delegacia, onde prestou depoimento, declarando que retirou a arma com o ex-presidente na segunda-feira (15) para realizar reparos e que a devolveria no dia seguinte. Na decisão de terça, o ministro também determinou que o comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, responsável pelas medidas de segurança durante o regime domiciliar de Bolsonaro, esclarecesse se está sendo cumprida a ordem de revista nos carros que saem da residência do ex-presidente. Segundo especialistas consultados pelo Valor, a decisão que colocou Jair Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária, em março, não proibiu expressamente a manutenção de arma de fogo em sua residência, o que torna improvável uma eventual revogação automática do benefício apenas em razão da apreensão da pistola registrada em seu nome.
Defesa admite que arma apreendida em blitz é de Bolsonaro
Em esclarecimento ao STF, advogados afirmam que equipamento estava inoperante por receio com quadro psiquiátrico do ex-presidente










