Ataques ocorreram em duas localidades próximas a Ramallah e levaram Israel a abrir uma investigação; episódio acontece sob crescente pressão internacional contra a expansão dos assentamentos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um homem palestino passa pela mesquita danificada, supostamente queimada por colonos israelenses durante a noite, com um dos grafites em hebraico dizendo 'nekama' ou 'vingança' pintado na parede, na vila de Jiljlia, na Cisjordânia, ocupada por Israel, ao norte da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, em 17 de junho de 2026 — Foto: ILIA YEFIMOVICH / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 14:41 Tensão Aumenta: Colonos Incendeiam Mesquitas na Cisjordânia Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas na Cisjordânia, intensificando a violência na região ocupada. Os ataques, ocorridos perto de Ramallah, são investigados por Israel e criticados internacionalmente, destacando a pressão contra a expansão dos assentamentos. O Reino Unido enfrenta controvérsia por promover empreendimentos em áreas disputadas, enquanto países ocidentais aplicam sanções contra essa expansão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Colonos israelenses incendiaram, nesta quarta-feira, duas mesquitas na Cisjordânia, afirmaram autoridades palestinas, enquanto jornalistas da AFP confirmaram danos em um dos locais. O episódio ocorre em meio a uma escalada da violência de colonos no território ocupado e à crescente pressão internacional contra a expansão dos assentamentos israelenses. O Exército de Israel, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, condenou "veementemente incidentes desse tipo" e afirmou ter aberto uma "investigação". Em Jiljiliya (centro), a cerca de dez quilômetros ao norte de Ramallah, uma equipe da AFP constatou indícios de incêndio e vandalismo. "Vingança", "A noite das mesquitas" e "Saudação dos Hilltop Youth (um movimento de jovens colonos extremistas)" diziam inscrições em hebraico nas paredes carbonizadas, segundo tradução livre. — Os colonos incendiaram o salão de abluções, danificaram a mesquita principal do vilarejo e escreveram mensagens hostis nas paredes externas — declarou Osama Abdula, representante do conselho local. Segundo Abdula, eles chegaram ao local de madrugada e, ao encontrarem a porta fechada, queimaram o salão localizado no térreo. Ele também explicou que a Defesa Civil palestina, auxiliada por jovens da região, conseguiu controlar o fogo. O outro incêndio ocorreu na localidade vizinha de Al Mazra al Nubani, a menos de dez quilômetros de distância, segundo o prefeito Saad Dagher. Um pequeno grupo de colonos lançou um coquetel molotov contra a mesquita Al Faruk Umar ibn al Jattab e fugiu quando os habitantes do vilarejo saíam de suas casas, detalhou. — Tentaram incendiá-la, mas o fogo atingiu apenas uma parte do edifício — explicou o prefeito, que destacou ter sido o "primeiro" ataque contra uma mesquita, após relatos de atos de vandalismo contra residências e instalações agrícolas. Esses atos foram condenados tanto pelo Ministério de Assuntos Religiosos palestino quanto pelo movimento islamista Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007. Pressão sobre os assentamentos Os ataques ocorrem em meio ao aumento das críticas internacionais aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. No Reino Unido, um evento imobiliário realizado em Londres no último fim de semana provocou controvérsia após panfletos exibirem empreendimentos localizados em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, de acordo com o jornal britânico Guardian. Mais de 100 parlamentares britânicos e organizações da sociedade civil pediram o cancelamento do evento, alegando que a comercialização de imóveis nessas áreas contraria o direito internacional. O deputado Andy McDonald, copresidente do Grupo Parlamentar Multipartidário Britânico-Palestino, afirmou haver "indícios suficientes" de que terrenos em assentamentos considerados ilegais estavam sendo anunciados. Os organizadores negaram inicialmente que propriedades situadas na Cisjordânia fossem oferecidas aos participantes. Após questionamentos no Parlamento britânico, porém, reconheceram um "erro" nos folhetos distribuídos e pediram desculpas pela inclusão de empreendimentos localizados em áreas como Givat Ze'ev, Kfar Eldad e Gush Etzion. O caso levou o governo britânico a solicitar uma análise da Autoridade de Padrões de Publicidade (ASA) sobre possíveis violações da legislação britânica. A controvérsia ocorre num momento em que países como Reino Unido, França, Canadá, Alemanha e Itália pressionam Israel a interromper a expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional. Na semana passada, o Reino Unido e outros países ocidentais também anunciaram sanções contra empresas e indivíduos acusados de financiar ou facilitar a recente escalada da violência de colonos na Cisjordânia. Sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela ONU, em meio a uma população de cerca de três milhões de palestinos. Segundo dados publicados na semana passada pelas Nações Unidas, a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia vive um ritmo "recorde", com uma média de seis ataques diários. (Com AFP)