Seleção colombiana estreia no Mundial de 2026 contra o Uzbequistão sob a sombra da eleição presidencial, em que candidatos de esquerda e direita buscam surfar no futebol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 James Rodríguez em treinamento da Colômbia na Cidade do México, antes da estreia na Copa do Mundo de 2026 — Foto: Yuri Cortez/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 21:58 Copa 2026: Seleção Colombiana Mistura Futebol e Política em Meio a Eleições Tensas A seleção colombiana retorna à Copa do Mundo de 2026 em meio a tensões políticas no país, com a eleição presidencial entre Ivan Cepeda e Abelardo de la Espriella. Jogadores como James Rodríguez e Valderrama se envolvem na disputa, refletindo suas preferências políticas. A camisa da seleção virou símbolo de campanha, semelhante ao uso político no Brasil. O governo Petro tenta usar o futebol para dialogar com comunidades historicamente alinhadas à esquerda. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de oito anos longe dos Mundiais, a seleção da Colômbia volta a uma Copa do Mundo de 2026 às 23h (de Brasília) desta quarta-feira, contra o Uzbequistão, no Estádio Azteca, no México. Mas é no domingo que o futebol colombiano será posto à prova. É quando acontece o segundo turno da eleição presidencial do país, entre o governista Ivan Cepeda, de esquerda, e o direitista Abelardo de la Espriella. A disputa acirrada entre os dois políticos colocou no olho do furacão a camisa da seleção e o voto de craques do futebol colombiano — desde nomes do presente, como James Rodríguez, até ídolos do passado, como Valderrama. James já teve Espriella como seu advogado, anos atrás, e é visto como alguém próximo ao candidato da direita. No embarque da seleção para a Copa, ele foi acusado de ignorar um cumprimento da filha do presidente colombiano Gustavo Petro, que alfinetou a postura do meio-campista. Se o posicionamento político de James ainda gera dúvidas na Colômbia, Valderrama, seu antecessor com a camisa 10 da seleção nos anos 1990, foi mais explícito: na semana passada, ele estrelou a propaganda eleitoral de Espriella, pedindo a seus apoiadores para “deixar tudo em campo” na “final do dia 21 de junho contra Cepeda e Petro” — numa referência ao segundo turno da eleição. Outros nomes famosos do futebol colombiano, como Faustino Asprilla e Miguel Borja (ambos ex-Palmeiras), também declararam voto em Espriella, que travou uma batalha judicial para usar a camisa da seleção na sua campanha. A Corte Suprema da Colômbia liberou o adereço na semana passada, enquanto o governo Petro criticou o candidato direitista por tentar surfar no apoio à equipe nacional. — Espriella está tentando fazer com a camisa da seleção algo similar ao que Bolsonaro fez de forma muito intensa no Brasil. Por aqui, isso acabou invertendo o significado do uniforme amarelo, que deixou de ser usado de forma meramente esportiva para virar um marcador político — avalia o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Políticos-Estratégicos da Marinha. O atual governo colombiano, por sua vez, também busca colher pontos em meio ao clamor da Copa. No embarque da seleção, Petro publicou uma foto cumprimentando o zagueiro Yerry Mina e a comparou a outro registro, do ex-presidente (de direita) Alvaro Uribe, montado a cavalo e passando a mão na cabeça do mesmo jogador — uma pose “escravista”, segundo o atual presidente. —Em uma eleição apertada, Petro está tentando dialogar com a população afro-colombiana e indígena, que tende historicamente a votar na esquerda na Colômbia — explica Santoro. Buscando desfazer qualquer impressão de antagonismo com a seleção, a filha de Petro, Antonella — que é torcedora fanática do Millonarios, de Bogotá —, divulgou uma troca de mensagens amistosa com James, numa rede social, após o embarque da equipe. Em outra publicação nas redes, a filha de Petro também pediu “unidade” na torcida pela seleção e brincou que ela e James têm pontos em comum, como “serem de esquerda” — um trocadilho com a habilidade do camisa 10 com a perna canhota. Além de James, outro craque da seleção cuja imagem vem sendo arrastada para a campanha eleitoral é o atacante Luis Díaz, do Bayern de Munique. Apoiadores do direitista Espriella interpretaram que ele cumprimentou Petro “com frieza” no embarque da seleção, o que remontaria ao sequestro do pai do atacante, em 2023, pelo grupo guerrilheiro ELN. Na juventude, Petro atuou na guerrilha pelo M19. O grupo não tinha relação com o ELN, mas o passado do presidente vem sendo explorado na campanha de Espriella. À época do sequestro do pai de Díaz, que ficou duas semanas em cativeiro, o governo Petro negociou sua libertação, que ocorreu dias antes de um Brasil x Colômbia — o atacante marcou dois gols e foi o destaque do jogo, pelas eliminatórias. Agora, Díaz disputará sua primeira Copa do Mundo como um dos remanescentes, assim como James, do elenco que fracassou ao tentar classificar a Colômbia para o Mundial de 2022. O desafio é reeditar o desempenho da Copa de 2014, o melhor da história colombiana, quando a seleção liderada por James caiu para o Brasil nas quartas de final. Já o Uzbequistão, adversário de hoje, tem como principal grife seu treinador, o italiano Fabio Cannavaro, campeão do mundo em 2006.