A maioria dos 159 milhões de euros pagos indevidamente em prestações sociais, de que falou a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, no Parlamento, na sexta-feira, não resulta de fraude, mas de atrasos nos processos administrativos e actualização de informações, adianta fonte do executivo ao Expresso, nesta quarta-feira. O valor dos 159 milhões tinha sido avançado no Parlamento por Maria Rosário Palma Ramalho para justificar a pertinência da nova Prestação Social Única (PSU).“Temos neste momento 159 milhões de pagamentos indevidos de prestações sociais, alguns decorrentes de fraude”, afirmou a ministra, durante o debate parlamentar que aprovou a descida da nova prestação social para discussão em sede de especialidade.Já depois da intervenção no Parlamento, o ministério tinha explicitado ao PÚBLICO que os 159 milhões de euros de prestações pagas indevidamente diziam respeito ao período entre Janeiro de 2024 e Junho de 2025 e incluíam o Rendimento Social de Inserção, uma das prestações sociais a integrar na PSU.Agora, em respostas ao Expresso, o ministério de Maria do Rosário Palma Ramalho diz que a realidade é complexa. “Quando se fala em pagamentos indevidos de prestações da Segurança Social, existe frequentemente a percepção de que a maioria desses casos corresponde a fraude", afirma. "No entanto, a realidade é bastante mais complexa.”Uma parte significativa (a esmagadora maioria) do dinheiro pago indevidamente aos beneficiários das prestações "decorre de atrasos na comunicação de factos, actualizações posteriores de informação ou limitações temporais inerentes aos processos administrativos". Boa parte é recuperado pelo Estado: cerca de 142,4 milhões de euros, ou seja, 90% do total, já foram pagos ou regularizados."Pagamento indevido e fraude não são conceitos equivalentes”, diz o ministério. Na maioria dos casos, a atribuição indevida ocorre porque a Segurança Social não dispõe da informação actualizada no momento do pagamento. Entre os exemplos apontados estão beneficiários de subsídio de desemprego ou de prestações de doença que regressam ao trabalho sem que essa informação tenha sido ainda comunicada, ou alterações de rendimentos e composição do agregado familiar que só são registadas posteriormente, prossegue o Expresso.O maior volume de pagamentos indevidos foi registado nas prestações de desemprego, que representam cerca de 71 milhões milhões de euros, seguindo‑se o Rendimento Social de Inserção, com 29,5 milhões de euros e as prestações familiares (20,2 milhões).