Na volta da RD Congo às Copas, jogadores vestiram ternos com golas assimétricas e estampas felinas, seguindo manifestação local, referência a uma das principais manifestações culturais do país: os sapeurs 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jogadores da República Democrática do Congo na chegada aos EUA para Copa do Mundo — Foto: Divulgação/Fecofa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 22:51 Delegação do Congo impressiona com moda sapeur na Copa do Mundo. A delegação da República Democrática do Congo, que participa da Copa do Mundo após 52 anos, chamou a atenção ao desembarcar nos EUA com trajes inspirados nos sapeurs, ícones da cultura congolesa. Os elegantes ternos com lapelas assimétricas e estampas felinas remetem à tradição de desafiar a opressão com moda. A prática, que mistura o dandismo europeu e estilos locais, simboliza resistência e ativismo cultural. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO De óculos escuros, ternos com lapelas assimétricas, broche de leopardo e acessórios com estampa que simulava a pele do animal, a delegação da República Democrática do Congo, que enfrenta hoje Portugal, desembarcou no dia 11 para a sua primeira Copa do Mundo em 52 anos. A roupa escolhida para a chegada nos EUA não fez referência apenas ao felino símbolo do país da seleção, mas também a uma das principais manifestações culturais congolesas: os sapeurs. A tradição da Sociedade dos Animadores e Pessoas Elegantes (Sape, na sigla em francês) surgiu ainda no século XX. Em meio à colonização da Bélgica, vestir-se bem era uma forma de desafio dos congoleses à superioridade do país europeu. A manifestação ganhou força na ditadura de Mobutu Sese Seko, entre 1965 e 1997, quando o país ainda se chamava Zaire. A ideia era desafiar o governo e sua política de “autenticidade”, que queria consolidar uma identidade africana centralizada. Os ternos, de cores chamativas e corte cuidadoso destoavam do cenário de pobreza e representavam uma ofensa ao governo, que tentava impor o traje típico (abacost) aos homens do país. Pesquisadora e analista de moda, Paula Acioli explica que a estética misturava o dandismo europeu e as estéticas Zoot e Zazou, de alfaiataria exagerada, transformando os sapeurs em dândis que tinham a moda como estilo de vida: — Os sapeurs, certamente fontes de inspiração para os uniformes da seleção do Congo, são mestres em se vestir de forma elegante e artística e, por vezes, exagerada. O tempo passou, mas o recado fashionista foi dado. Ao longo dos anos, a tradição se manteve, ainda que com algumas atualizações. Os tradicionais ternos hoje dividem espaço com outros estilos, de quimonos japoneses a kilts escoceses e mixes de estampas. Sapeurs e sapeuses, no caso das mulheres, chamam a atenção nas ruas vestindo à sua maneira peças de grifes de luxo como Yves Saint Lauren, Versace e Dolce & Gabbana. São pessoas comuns, mas que economizam para investir no guarda-roupa. “O sapeur traz esperança e alegria a comunidades que sofreram anos de violência e conflito. La Sape é uma forma de ativismo, uma inversão do poder, um ato de rebeldia contra as condições econômicas a que os congoleses estão sujeitos”, explicou ao jornal português Publico o britânico Tariq Zaidi, que publicou um livro sobre os sapeurs.
Sucesso nas redes, look com estampa de leopardo da seleção congolesa tem explicação além da moda; entenda
Na volta da RD Congo às Copas, jogadores vestiram ternos com golas assimétricas e estampas felinas, seguindo manifestação local, referência a uma das principais manifestações culturais do país: os sapeurs













