Ministro André Mendonça retira sigilo de investigação sobre caso Master Senador Ciro Nogueira (PP-PI) — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado A Polícia Federal (PF) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a amizade entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) “transcende a mera relação pessoal”, revelando-se, na verdade, “uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo”. Leia mais: A declaração consta em um relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no curso das apurações sobre o Master, de Daniel Vorcaro. Mendonça retirou o sigilo do processo nesta terça-feira (16), pouco antes de a Segunda Turma começar a analisar as prisões do primo e do pai de Vorcaro. O ex-banqueiro está preso desde março por suspeita de crimes contra o sistema financeiro, entre outras práticas. Para exemplificar a “estreita proximidade” entre o ex-banqueiro e o senador, a PF afirma que foram identificados pagamentos de vantagens indevidas, “materializadas, entre outras formas, por meio de aquisições societárias com expressivo deságio; pagamento periódico de valores mensais na ordem de R$ 300.000 ou, em algumas oportunidades, superiores; ao menos uma entrega de quantia de dinheiro em espécie; utilização de imóveis pertencentes ao banqueiro como se próprios fossem; além do custeio de despesas com hotéis, restaurantes e eventos de altíssimo luxo”. A PF também diz que Vorcaro pagou viagens do senador a diferentes localidades, como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel, nos alpes franceses. “O que salta aos olhos é o tratamento privilegiado, diferenciado, concedido por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira, tratamento esse que envolveu, inclusive, o custeio de suíte do tipo Royal, no luxuoso hotel Hyatt”, diz a PF com relação a uma viagem para os Estados Unidos. Os investigadores também destacaram mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o senador, afirmando que há claro “vínculo de amizade, expresso em comunicações de tom afetivo”, com “reiteradas manifestações como ‘saudades’, 'como você está, meu amigo?’ e ‘quero lhe ver’”. “Tais registros não configuram fatos isolados, mas um padrão consistente e reiterado de comunicação direta e pessoal entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, revelador de vínculo próximo e duradouro”, prossegue. Fotos dos dois também foram anexadas ao relatório. A defesa de Ciro Nogueira foi procurada, mas disse que não vai se manifestar por ora. A defesa de Vorcaro ainda não respondeu. Influência política Como contrapartida, diz a PF, Nogueira teria atuado no Senado para exercer influência política e defender os interesses de Vorcaro. “Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal, o qual apresenta como consequência - e não como causa - da associação funcional mantida entre os investigados.” Uma das maiores provas de que Nogueira teria atuado para favorecer Vorcaro, aponta a PF, é a chamada “emenda Master”, que buscava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta não avançou no Senado. “A mais relevante atuação do senador em prol dos interesses do Banco Master foi a apresentação da Emenda 11 à PEC 65/2023. Cumpre relembrar que a fraude financeira arquitetada pelos gestores do Master tinha por alicerce um modelo de funding que, na prática, dependia da credibilidade do selo do FGC para sustentar uma expansão agressiva”, diz a PF.
PF aponta relação 'espúria' de amizade entre Ciro Nogueira e Vorcaro para orientar interesses ilícitos
Ministro André Mendonça retira sigilo de investigação sobre caso Master











