Segundo a Agência Nacional de Testes do Ministério da Educação indiano, o bloqueio deve vigorar até 22 de junho O governo da Índia bloqueou temporariamente o aplicativo de mensagens Telegram em uma medida inédita no país. A decisão foi tomada em resposta à ação de redes criminosas que utilizavam canais na plataforma para vender acessos e trapacear no vestibular para cursos de Medicina chamado Teste Nacional de Elegibilidade com Entrada (NEET, na sigla em inglês), agendado para o dia 21 de junho. Segundo a Agência Nacional de Testes do Ministério da Educação indiano, o bloqueio deve vigorar até o dia 22 de junho. A prova original já havia sido cancelada em maio devido a investigações de vazamentos de questões, o que invalidou os resultados e afetou cerca de 2,3 milhões de estudantes. O episódio desencadeou protestos em várias partes da Índia, incluindo manifestações do grupo Cockroach Janta Party exigindo a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. O governo alegou que a restrição, fundamentada em uma provisão da lei indiana para proteger a “soberania e integridade da Índia”, foi adotada como um “último recurso” após tentativas anteriores de remover os conteúdos ilícitos falharem. A reação ao bloqueio foi imediata por parte do fundador do Telegram, Pavel Durov, que afirmou na terça-feira que a suspensão “puniu” mais de 150 milhões de usuários comuns no país. Durov argumentou que a proibição não impediu os crimes e que os vazamentos “simplesmente se moveram para outros aplicativos”. No mesmo sentido, o grupo de ativistas Internet Freedom Foundation classificou a medida como uma resposta desproporcional e uma “solução paliativa” que infringe a liberdade de expressão sem resolver a raiz sistêmica das fraudes. Apesar da ordem emitida pelo governo, o aplicativo do Telegram continuava funcionando na Índia e as principais operadoras de telecomunicações locais, como Reliance Jio, Bharti Airtel e Vodafone Idea, não responderam de imediato se haviam iniciado a implementação do bloqueio técnico. Por outro lado, fontes com conhecimento direto do assunto confirmaram que o Google e a Apple receberam ordens governamentais para remover temporariamente o aplicativo de suas lojas virtuais e irão cumprir a determinação. — Foto: Pixabay