Tela do Telegram, aplicativo para troca de mensagens — Foto: Pixabay A Índia bloqueou temporariamente o aplicativo de mensagens Telegram, alegando que ele foi usado para tentar fraudar um exame nacional de admissão para medicina. O certame também foi alvo de alegações de vazamento de provas no mês passado, resultando no cancelamento de milhões de resultados. A proibição, sem precedentes na Índia, foi "uma resposta ao uso organizado da plataforma por quadrilhas de fraude para lesar candidatos que farão a reavaliação do Exame Nacional de Elegibilidade e Admissão de 2026, agendada para 21 de junho de 2026", informou a Agência Nacional de Testes do Ministério da Educação na terça-feira. A medida está em vigor até 22 de junho. No mês passado, o governo indiano cancelou o exame de admissão para faculdades de medicina (NEET) após as autoridades informarem que estavam investigando alegações de vazamento de questões. O governo afirmou que a plataforma foi usada por canais não identificados que alegavam estar vendendo acesso à prova. Após o suposto vazamento de provas e o cancelamento dos resultados de exames para 2,3 milhões de estudantes, protestos eclodiram em várias partes da Índia. Manifestações viralizaram nas redes sociais, exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. A restrição ao Telegram foi imposta com base em uma disposição da lei de tecnologia da informação da Índia que permite ao governo bloquear o acesso a sites em nome da "soberania e integridade da Índia". Pavel Durov, fundador do aplicativo de mensagens, afirmou que a proibição pune mais de 150 milhões de usuários comuns do Telegram na Índia, "e não os responsáveis pelo vazamento do material dos exames". "E a proibição não impediu nada. Os vazamentos simplesmente migraram para outros aplicativos", disse Durov em uma publicação no X. Às 12h GMT, o aplicativo Telegram estava fora do ar na Índia. Um grupo ativista também criticou a proibição, alegando que se tratava de uma violação da liberdade de expressão que não resolveria o problema. "Bloquear o Telegram é uma solução paliativa e uma resposta desproporcional à fraude em exames", afirmou a Internet Freedom Foundation. A organização disse que a medida "punirá os usuários comuns em vez de combater a fonte sistêmica dos vazamentos de provas". Em um comunicado divulgado na terça-feira, o governo lamentou o inconveniente e afirmou que a medida foi um "último recurso", após ações anteriores para remover esse tipo de conteúdo da plataforma não terem surtido efeito. As operadoras Reliance Jio, Bharti Airtel e Vodafone Idea não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre se receberam e começaram a implementar a diretiva de bloqueio. O Google, da Alphabet, e a Apple receberam uma ordem do governo para remover temporariamente o aplicativo Telegram de suas lojas de aplicativos e cumprirão a determinação, segundo fontes com conhecimento direto do assunto.
Índia bloqueia aplicativo Telegram após fraude em exame de admissão para medicina
Índia bloqueia aplicativo Telegram após fraude em exame de admissão para medicina











