Presidente brasileiro até pretende tentar um encontro fortuito com o americano, mas preferiu não insistir em uma agenda formal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com Donald Trump na Casa Branca. — Foto: Ricardo Stuckert/PR A decisão do presidente Lula de embarcar para a França para a reunião de cúpula dos países do G7 sem pedir oficialmente nenhum encontro com Donald Trump, dos Estados Unidos, obedeceu a um cálculo de “redução de danos”. A aliados próximos, Lula explicou os motivos pelos quais ele concluiu que não seria uma boa pedir uma reunião com Trump a esta altura do campeonato, apesar da apreensão do Brasil com o tarifaço imposto a produtos brasileiros no início de junho. Além da taxa de 25%, os Estados Unidos avaliam impor uma tarifa de 12,5% por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado” a 60 países, incluindo o Brasil. Houve ainda a decisão de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em outro episódio que desagradou ao governo Lula, Trump recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca. O primeiro motivo para Lula não insistir com Trump é que ele não teria nada de novo a dizer para o americano, uma vez que os dois já tiveram uma reunião conjunta com ministros brasileiros e auxiliares de Trump há apenas cinco semanas, e acertaram um calendário de conversas bilaterais entre integrantes do segundo escalão de ambos, que ainda está em curso. Outra razão é que, para o presidente brasileiro, o governo americano é uma “bagunça’, dividido entre facções com opiniões diferentes sobre como agir em relação à América Latina e ao Brasil, que fazem com que Trump mude de opinião conforme o momento e o tema. Nesse cenário, seria perda de tempo se esforçar para agendar uma reunião formal, se expor e depois sofrer novo desgaste caso o presidente do EUA combine uma coisa e faça outra, como já aconteceu. Para Lula, o que é possível fazer está sendo feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, que vem negociando diretamente com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Os dois já tiveram uma reunião virtual no sábado e devem ter outra reunião técnica nos próximos dias. A estratégia de Lula obedece ainda a uma constatação bastante pragmática do ponto de vista doméstico e eleitoral: a de que o anúncio do tarifaço por Trump beneficiou sua candidatura à reeleição e prejudicou a de Flávio Bolsonaro (PL). Foi o que indicou a pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados responderam que Lula representa melhor o patriotismo e o discurso de defesa do Brasil, enquanto 37% atribuíram a Flávio. Na mesma pesquisa, questionados sobre o tarifaço dos Estados Unidos, 47% responderam concordar mais com o petista, que acusa o filho 01 de Jair Bolsonaro de ter articulado as tarifas junto a Trump, enquanto 35% se alinharam ao pré-candidato do PL, que afirma ter pedido ao presidente americano que não impusesse novas sanções à economia brasileira. Isso não quer dizer que Lula não gostaria de ter uma palavrinha com Trump durante o encontro, se surgir a oportunidade. Mas aí seria uma reunião rápida e eventual, sem criar expectativas que podem ser frustradas e nem riscos à imagem do brasileiro.
O cálculo de Lula ao não pedir uma reunião com Donald Trump na França
Presidente brasileiro até pretende tentar um encontro fortuito com o americano, mas preferiu não insistir em uma agenda formal














