Alexei Moskalyov afirma ter sofrido pressão, abusos e celas de castigo, mas o mais difícil foi a separação da filha, a quem criou sozinho desde os três anos de idade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Maria Moskalyova posa ao lado de seu pai, Alexei Moskalyov, com o desenho anti-guerra que fez em sua escola russa, em Estrasburgo, em 6 de junho de 2026 — Foto: SEBASTIEN BOZON / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 18:28 Família russa enfrenta prisão e exílio por desenho anti-guerra Alexei Moskalyov e sua filha Maria enfrentaram prisão, separação e exílio após um desenho infantil crítico à guerra na Ucrânia. Acusado de "desacreditar as Forças Armadas russas", Alexei foi preso e sofreu maus-tratos. Maria, isolada em abrigo, acabou com a mãe. Após libertação, eles partiram para a Armênia e depois França, onde tentam recomeçar. Sem arrependimentos, Alexei valoriza suas convicções acima de tudo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando Maria Moskalyova tinha 12 anos, ela desenhou mísseis sobrevoando uma bandeira russa em direção a uma mulher e uma criança que estavam ao lado de uma bandeira ucraniana. "Não a [Vladimir] Putin e à guerra", escreveu ela sobre a bandeira russa. Moscou acabara de invadir o país vizinho, e o desenho contra a guerra mudou a vida da menina para sempre, levando-a, juntamente com seu pai solteiro, Alexei Moskalyov, a um caminho de separação, prisão e exílio. O diretor contatou as autoridades da pequena cidade de Yefremov, ao sul de Moscou, onde moravam, e a polícia e os serviços de segurança chegaram rapidamente. Alexei disse que a polícia lhe mostrou o desenho de Maria pela primeira vez. Ele afirmou que eles não fizeram nada de errado. — O que há de criminoso nisso? — perguntou ele à polícia. — Minha filha e eu não estamos em guerra com a Ucrânia e seu povo. A polícia ameaçou retirar-lhe a guarda dos filhos e examinou seus perfis nas redes sociais, onde encontrou comentários críticos à guerra. Alexei levou Maria para fora da escola, na esperança de que os deixassem a sós. Mas meses depois, ele foi colocado em prisão domiciliar e, em seguida, condenado a dois anos de prisão por "desacreditar as Forças Armadas russas" por meio de seus comentários nas redes sociais. Ele tentou fugir, mas foi capturado na Bielorrússia e devolvido à Rússia. — Passei por cinco prisões — disse Alexei, de 58 anos. Ele afirma ter sofrido pressão, abusos e celas de castigo, mas o mais difícil foi a separação da filha, a quem criou sozinho desde os três anos de idade. Maria Moskalyova e seu pai, Alexei Moskalyov, posam para uma foto em Estrasburgo, em 6 de junho de 2026 — Foto: SEBASTIEN BOZON / AFP Isolamento A Rússia intensificou a repressão aos críticos após invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022. Mas a separação de Moskalyov de sua filha como punição por criticar a guerra teve um impacto profundo no país. O Kremlin defendeu o caso, chamando Moskalyov de pai "deplorável". Após a prisão de Alexei em 2023, Maria foi levada para um abrigo onde permaneceu por um mês, isolada do mundo exterior. — Eu estava completamente isolada — recordou Maria, agora com 16 anos. — Não sabia a quem perguntar sobre o que estava acontecendo. Quando Alexei tentou fugir do país, as autoridades disseram a Maria que "seu pai a abandonou". Ela acabou indo morar com a mãe, depois que as autoridades a convenceram a acolhê-la. A separação foi dolorosa para Alexei. Semanas após sua captura na Bielorrússia, ela recebeu uma carta de seu advogado informando que Maria estava em segurança. Sem arrependimentos Ele relembrou como outro prisioneiro tentou matá-lo, um ataque que ele acredita ter sido orquestrado pelas autoridades prisionais. Seu companheiro de cela era um mercenário do grupo Wagner que tentou convencê-lo a lutar na guerra. Quando Alexei se recusou, ele tentou estrangulá-lo à noite: — Consegui me libertar, mas sofri ferimentos na cabeça; havia sangue, minha cabeça bateu na cama de metal. As semanas que ele passou em confinamento solitário foram intoleráveis. — Para mim, era uma cela de tortura — disse ele. — Estava um frio terrível. Eles nos acordavam às cinco e apagavam as luzes às nove, e durante todo esse tempo eu tinha que ficar de pé e me mexer para não congelar. À noite, ele tinha que se cobrir bem para evitar mordidas de rato. Alexei conseguiu reencontrar sua filha após ser libertado da prisão em outubro de 2024, mas ficou claro para ele que a polícia não o deixaria em paz. Pouco tempo depois, ele e sua filha partiram para a Armênia. Eles queriam ir para a Alemanha, mas o país endureceu suas regras de asilo. Passaram um ano e meio esperando por vistos alemães, mas nunca chegaram. No final, a França os acolheu. Eles moram em Estrasburgo desde março, onde tentam reconstruir suas vidas. Maria está tentando aprender francês para poder terminar os estudos. Ela diz que quer entrar para a política. — Espero sinceramente que as coisas melhorem na Rússia — comentou. Nenhum dos dois se arrepende de ter se manifestado contra a guerra. — Minhas convicções valem mais para mim do que qualquer riqueza no mundo — declarou Alexei.
Prisão, separação e exílio: Pai e filha russos marcados por um desenho infantil contra a guerra na Ucrânia
Alexei Moskalyov afirma ter sofrido pressão, abusos e celas de castigo, mas o mais difícil foi a separação da filha, a quem criou sozinho desde os três anos de idade







