Em 2026, Milton Maluhy Filho completa 50 anos de vida e cinco à frente do maior banco privado brasileiro. Para muitos CEOs e altos executivos, essas efemérides seriam a deixa perfeita para aquele tradicional balanço de realizações e planos futuros — “o que fiz até aqui?”, “onde quero estar daqui a alguns anos?”. Não para o CEO do Itaú. “Não costumo fazer esses balanços nem penso muito em legados e coisas do tipo. Quem tem que ter um legado é a organização, e minha tarefa aqui é criar as condições para que os próximos líderes consigam perpetuar o banco”, diz Maluhy Filho (lê-se “maluí” o sobrenome de origem sírio-libanesa). “Vejo como uma corrida de revezamento, em que cada um percorre um trecho pensando em deixar o melhor trabalho possível para quem vai receber o bastão”, completa o executivo, que assumiu a presidência do Itaú no início de 2021, quando tinha 44 anos. Um desafio que envolvia o comando de uma instituição à época quase centenária e que vinha de gestões emblemáticas das famílias Bracher e Setubal. Ao peso da cadeira se somava a necessidade de garantir que o Itaú continuasse crescendo para enfrentar uma revolução digital acelerada, a forte concorrência, um cenário econômico que no Brasil invariavelmente é desafiador e os efeitos de um ambiente geopolítico a cada dia mais incerto. “A gente não sabe tudo, e essa é uma ideia importante na cultura do banco”, diz Maluhy Filho, para ressaltar a importância que dá a aspectos como adaptabilidade e vontade de conhecer — o que vale para ele e também para os times. “Temos plena consciência de que o jogo nunca está ganho. Ele é infinito”, acrescenta. Para comandar um conglomerado essencial para o funcionamento do sistema financeiro no país, com quase cem mil colaboradores e presença relevante no exterior, o CEO do Itaú se guia, entre outros aspectos, pelo “vamos de turma”. O executivo diz ter consciência de que, no fim das contas, a responsabilidade por escolhas de caminhos para o banco e por decisões de negócios é exclusivamente sua. Mas diz não se sentir solitário nesse papel exatamente por causa do lema gregário adotado como uma espécie de valor dentro do banco. “É o conjunto que faz a diferença. Não me sinto sozinho porque estou muito bem acompanhado”, ressalta. Maluhy Filho aqui fala do comitê executivo que leva até ele dados de qualidade e análises aprofundadas de cada área, mas também do conselho de administração, com o qual tem um diálogo aberto e transparente. O estilo de liderança mais voltado ao colegiado depende muito de participação e engajamento dos times. Por isso, ele reforça a importância de um ambiente amigável para essa dinâmica: “As pessoas precisam se sentir à vontade para discordar. Porque se todo mundo concordar com você 100% do tempo, a qualidade da decisão piora”. E para usufruir das ideias e perspectivas do grupo, o CEO dá atenção especial a dois pontos: escuta ativa e empatia, o que foi exercitando ao longo dos 25 anos de trajetória no banco. Ele considera que todas as passagens por áreas diversas do Itaú foram importantes para a construção do seu modelo de liderança. O primeiro registro foi em 1995, como “escriturário B” na rua XV de novembro, em São Paulo, quando Maluhy Filho ainda estudava administração de empresas à noite na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Dali saiu do Itaú para voltar alguns anos depois, no banco de investimentos que logo se juntaria ao BBA para criar o Itaú BBA. “Não tenho uma inspiração única: aprendi muito e continuo aprendendo com pares, subordinados e gestores. Encontrei aqui pessoas generosas, que sempre me acolheram.” Empresas em que trabalhou: J.P. Morgan, Crédit Commercial de France (CCF Brasil) e Lloyds TSBIdade em que se tornou CEO: 44 anosMaior orgulho da carreira: o que está sendo construído em conjunto no Itaú UnibancoPessoa que o inspira: Steve JobsHobby: jogar tênis
Executivo de Valor: Milton Maluhy Filho, do Itaú, diz que o jogo nunca está ganho
CEO considera que todas as passagens por áreas diversas do Itaú foram importantes para a construção do seu modelo de liderança






