Karina é alvo de um inquérito que apura o contrato de R$ 108 milhões para a instalação de pontos de wi-fi na periferia da cidade de São Paulo, em um contrato firmado com à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que também pertence à empresária e fica no mesmo endereço da produtora do filme bolsonarista. O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos (leia mais abaixo). A Polícia paulista e o Ministério Público querem saber se houve utilização de recursos públicos do contrato municipal na produção do filme sobre Bolsonaro. Segundo o documento anexado ao inquérito, R$ 54 milhões desse montante declarado foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil. Em dólar, o filme saiu por US$ 13,39 milhões, aponta o documento, apesar de ter sido todo filmado no Brasil. Gastos declarados pela produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL). — Foto: Reprodução Os valores fazem parte de um laudo produzido a pedido dos advogados de defesa de Karina Gama e não apresenta recibos ou notas fiscais dos gastos. Antes do Dark Horse, a Go UP Entertainment nunca tinha feito nenhum filme no Brasil. A ONG Instituto Conhecer Brasil também nunca tinha instalado nenhum ponto de wi-fi na periferia de São Paulo antes de assumir o contrato com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) – aliado da família Bolsonaro - em junho de 2024. O laudo foi contratado pelos advogados do escritório Hasson Sayeg, Novaes e Advogados, que cuidam da defesa de Karina. Eles contrataram o Instituto de Perícia Investigativa (IPI) para escrever o documento. O perito que assina o documento, Anísio Costa Castelo Branco, diz que elaborou o documento por meio de contratos, planilhas financeiras e extratos bancários da ONG. O laudo não reproduz nenhum desses documentos como forma de comprovar os números presentados. O documento também não esclarece a origem dos R$ 20,9 milhões gastos no Brasil pela Go Up no filme. LEIA MAIS: ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação da Polícia por desvio de recurso O perito particular contratado pela defesa afirmou, ainda, que “não identificou entradas de caixa oriundas de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos”. O banqueiro está preso por gerar um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). De acordo com Karina, o filme está em fase de pós-produção, com inclusão de efeitos especiais e sonorização, e ainda precisa de recursos, mas nada substancial. Gastos declarados pela produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL). — Foto: Reprodução Karina afirmou que, após a prisão de Daniel Vorcaro, todos que estavam à frente do filme tiveram que buscar novos investidores para viabilizar o projeto. Segundo a dona da produtora, Vorcaro atuou como um intermediador de verba para o longa, não como investidor. “Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas. ‘Gente, vamos ver onde a gente ajuda, quem pode apoiar’. Nossa vida todo dia era falar com pessoas da iniciativa privada que pudessem apoiar o nosso projeto.” As cifras que envolvem o filme Dark Horse Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. — Foto: Reprodução O banqueiro Daniel Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos. Segundo o site "The Intercept Brasil", Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção sobre Jair Bolsonaro. R$ 75,1 milhões - valor que a produtora diz ter gasto;R$ 61 milhões - valores que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;R$ 134 milhões - valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;R$ 108 milhões - valor do contrato entre ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista. Contrato é investigado pelo MP e Polícia Civil. Qual é a situação do serviço de wi-fi gratuito na periferia da cidade de São Paulo?
Produtora declara gasto de R$ 75 milhões no filme sobre Bolsonaro; veja diferentes valores que envolvem o longa | G1
Documento anexado ao inquérito diz que R$ 54 milhões desse montante foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil. Em dólar, o filme saiu por US$ 13,39 milhões, aponta laudo produzido pela defesa da empresária Karina da Gama, que está sob investigação do MP e da Polícia Civil em SP.








