A Ucrânia iniciou nesta segunda-feira (11) a primeira fase das negociações para ingressar na União Europeia, um passo fundamental nos esforços de Kiev para se integrar às estruturas políticas ocidentais enquanto enfrenta a invasão da Rússia. “Para nós, este é realmente um Rubicão, um marco... um momento decisivo”, disse o vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Taras Kachka, aos jornalistas após o início das negociações em Luxemburgo. “Toda a sociedade ucraniana acredita que ingressar na União Europeia é o nosso sonho.” O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, transformou a adesão à UE em um objetivo central de sua política externa, apresentando-a como uma forma de garantir prosperidade e segurança de longo prazo tanto para seu país quanto para a Europa como um todo diante da agressão russa. Na reunião realizada em Luxemburgo, autoridades iniciaram negociações sobre um primeiro conjunto de áreas políticas, nas quais Kiev terá de implementar reformas para alinhar sua legislação aos padrões da União Europeia. Embora Kiev conte com forte apoio dos governos europeus para seus esforços de reforma e sua ambição de se tornar membro da UE no futuro, diplomatas esperam que o processo de adesão da Ucrânia seja complexo e demorado. No processo de adesão, os países candidatos negociam “capítulos” de políticas públicas, agrupados em seis blocos temáticos, incluindo direitos fundamentais, o mercado interno da UE e as relações externas. Reforma política O primeiro bloco, aberto nesta segunda-feira sob o título “fundamentos”, abrange temas como o sistema judiciário, o funcionamento das instituições democráticas e as licitações públicas. “Enquanto a Ucrânia ganha impulso no campo de batalha, ela também está construindo seu caminho rumo a uma Ucrânia próspera e segura dentro da União Europeia”, afirmou a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, que incentivou Kiev a continuar seus esforços de reforma. “Isso exige que toda a sociedade se una e aproveite o impulso que a Ucrânia está construindo”, acrescentou. Os líderes da UE concordaram em abrir negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia em dezembro de 2023, mas as conversações não puderam avançar efetivamente devido à oposição do governo anterior da Hungria à candidatura ucraniana. No entanto, um novo governo em Budapeste chegou a um acordo com Kiev neste mês sobre os direitos da minoria húngara na Ucrânia. Na sexta-feira, os embaixadores da UE concordaram que tanto a Ucrânia quanto a Moldávia podem iniciar negociações sobre o primeiro bloco de áreas políticas nas quais precisam reformar suas leis para atender aos padrões da União Europeia.