Ao fim de dois anos e meio em compasso de espera, a Ucrânia iniciou, esta segunda-feira, o processo de negociações técnicas de ajustamento do seu sistema económico, jurídico, administrativo e político até à adesão à União Europeia, com a abertura do primeiro capítulo que diz respeito aos princípios e direitos fundamentais.“É um progresso muito importante para a Ucrânia, principalmente em face da escalada da Rússia, que esta madrugada voltou a atingir duramente Kiev”, considerou o vice-primeiro-ministro, Taras Kachka, que detém a pasta da Integração Europeia e Euro-Atlântica da Ucrânia, à entrada para a conferência-inter-governamental que se realizou no Luxemburgo.Um progresso que só foi possível depois de Kiev renovar as suas garantias quanto à protecção das minorias húngaras no país, para que o primeiro-ministro Peter Magyar concordasse em levantar o bloqueio que o anterior Governo mantinha desde Dezembro de 2023, quando o Conselho Europeu aprovou um momento em que Viktor Orbán se ausentou da sala para aprovar por unanimidade a abertura das negociações de adesão.De então para cá, a Ucrânia tem vindo a cooperar informalmente com a Comissão Europeia nas reformas que terá de completar para “absorver” o chamado acervo comunitário. No último relatório sobre o alargamento, o executivo comunitário confirmou que o país está já preparado para iniciar as negociações técnicas em todas as áreas sectoriais (ou clusters): princípios e valores fundamentais; mercado interno; competitividade e crescimento económico; agenda verde e conectividade sustentável; recursos, agricultura e coesão; e relações externas.Trata-se, como é sabido, de um processo longo e fastidioso, que decorre de forma sequencial. É a Comissão que estabelece o quadro para as negociações, mas segundo a metodologia do alargamento, só é possível abrir um novo capítulo após o encerramento do anterior. No total, são 35 capítulos agrupados em seis clusters, sendo que o primeiro de todos, que avalia o quadro institucional, os direitos fundamentais e o sistema judicial do país candidato, é o mais exigente.