Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit da Noruega e enteado do príncipe herdeiro Haakon, foi condenado, nesta segunda-feira, 15 de Junho, a quatro anos de prisão pelo tribunal distrital de Oslo por dois crimes de violação, violência em contexto de relação íntima e outros crimes. A informação foi avançada pela televisão pública norueguesa NRK. A decisão ainda não transitou em julgado, podendo ser portanto alvo de recurso, tanto por parte da defesa como do Ministério Público.Segundo a NRK, o juiz Jon Sverdrup Efjestad leu partes da sentença, com 128 páginas, concluindo que Høiby, de 29 anos, é culpado de duas violações, relativas aos chamados casos de Skaugum [residência oficial de Haakon] e da zona Oeste de Oslo.No primeiro processo, o tribunal considerou provado, sem margem para dúvidas, que a mulher estava a dormir no momento da agressão sexual. Já no segundo, apesar de ter existido inicialmente uma relação sexual consentida, os juízes concluíram que a vítima ficou posteriormente incapaz de se opor aos actos ou de consentir.O tribunal, contudo, absolveu Høiby de duas outras acusações de violação. De acordo com o meio de comunicação norueguês, um dos casos dizia respeito a factos ocorridos em Lofoten. Os juízes consideraram que persistiam as dúvidas sobre os factos e salientaram a ausência de provas recolhidas à data ou próximo da data dos acontecimentos. Também a acusação relacionada com um episódio num hotel em Oslo, que remonta a Novembro de 2024, terminou com a absolvição, por incerteza acerca dos acontecimentos e inconsistência do testemunho da queixosa.Høiby foi ainda condenado por violência doméstica contra a antiga companheira Nora Haukland, a única vítima identificada publicamente. A NRK refere que o tribunal concluiu que existiu um padrão repetido de agressões físicas e psicológicas. Além disso, foi considerado culpado por uma agressão grave contra uma mulher residente em Frogner, em Agosto de 2024, episódio que levou à sua primeira detenção. O tribunal determinou também a proibição de contacto com essa vítima durante dois anos.Segundo o Guardian, Høiby terá de indemnizar Nora Haukland e outras três mulheres. O diário britânico acrescenta que o filho da princesa herdeira enfrentava cerca de 40 acusações, incluindo violações, agressões, violações de ordens de restrição e crimes relacionados com droga e condução.Durante o julgamento, que decorreu ao longo de várias semanas e foi acompanhado de perto pela comunicação social norueguesa, os procuradores pediram uma pena de sete anos e sete meses de prisão. A defesa, pelo contrário, defendia uma condenação não superior a um ano e meio pelos crimes que o arguido admitiu. A Reuters acrescenta que o processo revelou ainda detalhes sobre a dependência de drogas de Høiby e terão sido apresentados como prova vários vídeos e mais de 800 mensagens.Um dos episódios centrais do processo terá ocorrido na cave da residência oficial da família do príncipe herdeiro, em 2018. Høiby chegou a admitir ter tido relações sexuais com a mulher em causa, mas negou que tivesse praticado ou filmado qualquer acto quando esta se encontrava inconsciente. A vítima, por sua vez, declarou ter apenas tomado conhecimento do vídeo quando foi contactada pela polícia e garantiu que nunca consentiu os actos.Em Fevereiro, no arranque do julgamento, Høiby chegou a negar as acusações mais graves e emocionou-se em tribunal. Na altura, atribuía parte dos seus comportamentos à exposição mediática a que esteve sujeito desde criança, após o casamento da mãe com o príncipe Haakon, em 2001.“Tenho sido assediado desde então”, declarou, acrescentando que se encontrava medicado e que tentaria prestar o melhor testemunho possível. Também reconheceu problemas relacionados com álcool, sexo e consumo de drogas. "Sou conhecido como o 'filho da mamã'. Isso significa que tenho uma necessidade extrema de afirmação. Muito sexo, muito álcool", chegou a afirmar em tribunal, acrescentando que poucas pessoas compreendem o estilo de vida que levou ao longo dos anos.Segundo a NRK, o advogado de defesa, Petar Sekulic, anunciou que irá pedir a libertação de Høiby da prisão preventiva, que já se encontrava a cumprir. Na semana passada, um tribunal de recurso tinha recusado essa possibilidade, considerando elevado o risco de repetição de crimes contra uma das vítimas.