Uma vitória de Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, seria surpreendente para os peruanos, acostumados a rejeitá-la no segundo turno das eleições presidenciais desde 2011. Mas não chegaria a ser incomum entre os países que fazem parte da chamada terceira onda de democratização, após os anos de 1970.
Cerca de um quinto dessas nações elegeram ex-líderes autoritários ou seus filhos como presidentes ou primeiros-ministros, afirma o cientista político canadense James Loxton. O professor de política comparada da Universidade de Sydney é o autor do artigo "Por que elegemos ex-ditadores e seus filhos?", publicado no Journal of Democracy de abril.
"Eu uso o termo 'herança autoritária' para descrever o fato simples, mas também um tanto incômodo, de que pode ser vantajoso para partidos sucessores autoritários, ou para os filhos do ex-ditador ou o próprio ex-ditador, ter raízes em uma ditadura sob a democracia", afirma.
Os principais exemplos no Brasil são Getúlio Vargas, eleito em 1950 após instaurar uma ditadura, o Estado Novo, em 1937, e o PFL (Partido da Frente Liberal), um dissidente da Arena (Aliança Renovadora Nacional), sigla que sustentou o regime militar de 1964 e atualmente chamado União Brasil.















