“No horizonte de uma década, a economia acumulada pode alcançar entre R$ 2,4 bilhões e R$ 6,5 bilhões, mesmo desconsiderando ganhos derivados da aceleração do ritmo de saída sustentável”, diz estudo realizado pela ONG Gerando Falcões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 17:55 "ONG propõe estratégia para reduzir retorno ao Bolsa Família" A ONG Gerando Falcões propôs uma estratégia para reduzir o retorno de emancipados ao Bolsa Família, destacando que melhorias na autonomia econômica dos beneficiários podem economizar entre R$ 2,4 bilhões e R$ 6,5 bilhões em uma década. A nota técnica sugere um acompanhamento estruturado e integração com políticas de qualificação, além de fortalecer a coordenação entre os governos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apesar de eficaz como mecanismo de redução da pobreza e com bons resultados de mobilidade social, o programa Bolsa Família ainda carece de uma política mais estruturada de autonomia econômica de seus beneficiários, também conhecida como rota de saída, segundo uma nota técnica do Instituto Gerando Falcões. A ONG destaca que uma articulação mais ampla pode diminuir sensivelmente os índices de retorno ao programa por parte das famílias que o haviam deixado por conta de aumento de renda. A Gerando Falcões recentemente assinou acordo de cooperação com o ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para promoção de inclusão produtiva e autonomia financeira de famílias de baixa renda. O documento faz um amplo raio-x do programa e destaca que, em 2025, cerca de dois milhões de famílias deixaram o Bolsa por melhora de suas condições de renda. Segundo a nota, o “índice de reentrada” dos que foram desligados é da ordem de 10% ao ano e que, em um cenário intermediário, uma política mais estruturada de emancipação poderia evitar o retorno de cerca de 60 mil famílias. No cenário mais conservador, o número seria da ordem de 30 mil famílias e, no mais ambicioso, 80 mil por ano que não voltariam a precisar do benefício social. “No horizonte de uma década, a economia acumulada pode alcançar entre R$ 2,4 bilhões e R$ 6,5 bilhões, mesmo desconsiderando ganhos derivados da aceleração do ritmo de saída sustentável”, diz o documento. Esse volume representa um impacto anual entre R$ 245 milhões e R$ 653 milhões, a depender do grau de estruturação implementado. O volume relativamente pequeno dado o orçamento de R$ 168 bilhões do programa por ano, mas que, se confirmado, significaria uma maior eficácia na alocação de recursos públicos. A nota destaca que a superação da vulnerabilidade social não ocorre de forma linear e demanda um acompanhamento mais estruturado, ainda que, também vale ressaltar, o programa já conte com uma regra de transição - que a nota considera muito limitada. “Oscilações de renda, informalidade estrutural e heterogeneidade territorial expõem as famílias ao risco de reentrada, sobretudo quando inexistem mecanismos institucionalizados de acompanhamento durante a fase de transição. A Regra de Proteção introduz elemento relevante de gradualidade ao mitigar o cancelamento abrupto do benefício. Entretanto, seu desenho permanece predominantemente ancorado em critério temporal e limite de renda, não configurando, por si só, uma política nacional estruturada de consolidação da autonomia econômica”, afirma o documento. A nota técnica defende aperfeiçoar a regulamentação da Regra de Proteção do programa, sem alteração dos critérios de elegibilidade ou do nível de proteção assegurado, “definindo um protocolo nacional mínimo de acompanhamento das famílias durante o período de Regra de Proteção; a instituição de parâmetros objetivos de monitoramento da progressão socioeconômica; e a formalização de mecanismos de integração com políticas de qualificação profissional, inclusão produtiva e geração de renda”. O texto também defende fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios na organização da Transição para a Autonomia, a utilização do Cadastro Único como base estratégica para acompanhar a trajetória das famílias durante e após a Regra de Proteção, produzindo evidências que orientem ajustes normativos e aprimoramento contínuo da política. E aprovar o projeto que institui a Política Nacional de Combate à Pobreza, para dar estabilidade jurídica à política de superação da pobreza.