Uma equipe formada por cientistas brasileiros e finlandeses mapeou uma rede de quase mil estradas antigas, construídas por grupos indígenas do Acre séculos antes da chegada dos europeus e somando cerca de 350 km de extensão. Planejadas com cuidado, as vias parecem ter tido diferentes funções ao longo do tempo, adornando e conectando misteriosos monumentos da região ou ligando povoações aos principais rios.

O mapeamento das estradas pré-colombianas está descrito em artigo publicado em abril deste ano no periódico especializado Antiquity.

"Quanto mais a tecnologia e as observações avançam, mais vamos percebendo a presença de estradas e caminhos e a conexão entre eles e os monumentos", disse à Folha Alceu Ranzi, coautor do estudo que trabalha no Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da Universidade Federal do Acre.

Também assinam o trabalho Antonia Damasceno Barbosa, do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e dois colegas da Finlândia, Risto Kalliola, da Universidade de Turku, e Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque.

A equipe empregou imagens de satélite de diferentes plataformas, bem como validações em campo, concentrando suas observações numa faixa de 135 mil quilômetros quadrados do território acreano que tem revelado, nas últimas décadas, centenas de exemplos de grandes desenhos no solo –quadrados, círculos, losangos– designados como geóglifos.